A auditoria realizada sob a supervisão do governador interino Ricardo Couto revelou uma série de irregularidades relacionadas ao programa Segurança Presente e aos contratos associados à sua operação.
Em virtude dos primeiros resultados dessas auditorias, o desembargador optou por desvincular o Segurança Presente da Secretaria de Estado de Governo, conhecida como Segov, transferindo sua administração para a Polícia Militar. Essa decisão foi formalizada em uma edição extraordinária do Diário Oficial.
Os dados coletados nas auditorias indicam que alguns agentes teriam utilizado informações falsas ou duplicadas para atingir as metas estabelecidas pelo programa. Em situações específicas, placas de veículos foram copiadas aleatoriamente em estacionamentos de shoppings e supermercados, com o intuito de aumentar o número de automóveis fiscalizados.
Além disso, foram encontradas evidências de possíveis fraudes no registro dos dados das pessoas abordadas e revistadas. Um aspecto que chamou atenção foi a repetição dos mesmos números de CPF em diferentes turnos de trabalho.
Certa vez, um único indivíduo, sem antecedentes criminais, teve seu CPF consultado mais de 200 vezes. Os auditores também relataram a existência de escalas fantasmas que eram registradas apenas nos documentos oficiais.
O programa era considerado um ativo político
O Segurança Presente funcionava sob a gestão da Secretaria de Governo, um dos departamentos mais políticos da administração estadual. Nos bastidores, o programa era visto como um recurso eleitoral valioso devido à sua presença em áreas comerciais e bairros movimentados, além de redutos eleitorais.
Enquanto esteve sob a tutela da Segov, alguns parlamentares chegaram a nomear responsáveis por bases do programa em suas respectivas áreas de influência, aumentando assim o risco de práticas clientelistas dentro da estrutura.
Uma planilha apreendida pela Polícia Federal com o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, continha solicitações feitas por deputados para cargos no Segurança Presente. Esse documento sugeria que aliados do governo possuíam uma espécie de “cota” dentro do programa.
A Polícia Militar assume a gestão do Segurança Presente
A mudança para a gestão da Polícia Militar foi apresentada pelo governo como uma estratégia para melhorar o controle operacional, intensificar o uso de inteligência e corrigir distorções administrativas existentes.
O programa continuará com sua proposta original de policiamento comunitário, prevenção e atendimento ao cidadão. A diferença será que essa nova estrutura deverá operar com metas mais rigorosas, monitoramento técnico e revisão dos processos internos.
As informações são do portal Tempo Real