Home NotíciasPesquisa em Arraial do Cabo investiga origem das tartarugas marinhas da região

Pesquisa em Arraial do Cabo investiga origem das tartarugas marinhas da região

por Amanda Clark

Uma pesquisa em Arraial do Cabo, situada na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, tem como meta descobrir as origens das tartarugas marinhas que habitam essa localidade. O estudo está sendo conduzido na Reserva Extrativista Marinha de Arraial do Cabo, que é reconhecida por abrigar a maior concentração de tartarugas-verdes em áreas de alimentação no Brasil.

O monitoramento é realizado pelo Projeto Costão Rochoso, uma iniciativa da ONG Fundação Educacional Ciência e Desenvolvimento, em parceria com a Petrobras. O propósito dessa ação é reunir informações científicas que possam auxiliar na conservação e recuperação dos costões rochosos, que constituem a interface entre o mar e a terra.

Na Praia do Pontal, mergulhadores que utilizam caiaques capturam tartarugas de maneira controlada para realizar exames e coletar amostras. Essa prática chama a atenção de pescadores, turistas e banhistas; no entanto, trata-se de uma ação devidamente autorizada para acompanhar a saúde dos animais.

A bióloga Juliana Fonseca, uma das idealizadoras da pesquisa, enfatiza que o litoral de Arraial do Cabo abriga todas as cinco espécies de tartarugas marinhas existentes no país. “Embora exista um número significativo de tartarugas aqui, Arraial se destaca como a região com a maior densidade de tartarugas-verdes no Brasil. O desafio agora é descobrir onde elas nasceram”, comenta.

Após serem capturadas, as tartarugas são submetidas a diversos procedimentos na areia. Elas são pesadas, medidas e têm amostras de tecido coletadas para análises genéticas. “Realizamos uma série de exames que envolvem pesagem, medição e coleta de tecido. É semelhante a uma biópsia que nos ajuda a entender sua origem”, detalha Juliana.

Compreender a origem das tartarugas é essencial para identificar quais populações dependem das áreas alimentares em Arraial do Cabo. “Ao sabermos sua origem, conseguimos mapear quais estoques populacionais utilizam essa área. Isso nos ajuda a compreender melhor a relação entre os locais de desova e as zonas onde elas se alimentam”, acrescenta.

A expectativa de vida das tartarugas-verdes é em torno de 75 anos. Segundo Juliana, muitas delas permanecem nas águas ao redor de Arraial do Cabo por aproximadamente dez anos; outras podem ficar até 25 anos antes de retornar ao local natal para reprodução.

<p“Essas são juvenis que acabam de chegar à costa. Após o nascimento, elas passam por uma fase oceânica que dura pelo menos cinco anos. Com cerca de 25 centímetros, retornam à costa. Em Arraial do Cabo, elas crescem e se desenvolvem muito bem devido à abundância alimentar”, descreve Fonseca.

O projeto monitora as espécies tartaruga-verde e tartaruga-pente em três praias da região: Praia dos Anjos, Praia Grande e Praia do Pontal — além da Ilha de Cabo Frio, todas localizadas dentro da reserva marinha. O acompanhamento abrange medições do casco, nadadeiras, rabo e até das unhas das tartarugas.

Além dos exames físicos realizados nas tartarugas, os pesquisadores fazem uso de fotografias e programas específicos para identificar cada animal individualmente. A identificação é feita através das placas presentes na cabeça da tartaruga. “A foto identificação consiste basicamente em observar a cabeça do animal. Cada indivíduo possui placas com formatos e tamanhos únicos, funcionando como nossas impressões digitais”, afirma Juliana Fonseca.

Desde 2018, cerca de 500 tartarugas foram catalogadas no projeto; destas, 80 tiveram amostras coletadas para análise genética. As análises são realizadas em colaboração com a Universidade Federal Fluminense (UFF), com resultados previstos para um prazo máximo de seis meses.

Outra vertente desse estudo investiga qual é a distância mínima que esses animais conseguem tolerar em relação à presença humana sem apresentar alterações comportamentais. O intuito é avaliar o impacto do turismo e do contato excessivo sobre as tartarugas.

<p“Essas tartarugas são animais carismáticos que atraem muitos olhares curiosos. Infelizmente isso resulta em diversos relatos sobre assédio e captura desses animais; retirar uma tartaruga da água provoca um estresse significativo”, alerta a equipe envolvida no projeto.

A metodologia utilizada inclui aproximações simuladas para observar quando as tartarugas mudam seu comportamento ao serem abordadas. “Realizamos aproximações simuladas para verificar em que momento elas reagem; assim conseguimos determinar uma média da distância mínima que suportam”, relatam os pesquisadores envolvidos.

Com base nas informações obtidas até agora, o projeto pretende elaborar um guia com boas práticas para observação das tartarugas marinhas. A intenção é que esse material seja utilizado tanto no turismo local quanto em outras regiões.

A pesquisadora Isabella Ferreira enfatiza que esse tipo de captura deve ser feito exclusivamente por profissionais habilitados nas áreas da biologia, veterinária ou oceanografia. Ela ressalta que todas as etapas requerem autorização formal.

<p“Solicitamos permissão para todas as nossas atividades: desde captura até marcação e fotografia. Sempre notificamos os guardas ambientais sobre nossa presença e apresentamos nossa autorização”, destaca Isabella.

Todas as atividades contam com o respaldo institucional do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Projeto Tamar, conhecido por seu trabalho na conservação marinha no Brasil. Enquanto o trabalho avança, fica evidente o aviso aos moradores e visitantes nas praias da região: não tocar nos animais marinhos é fundamental.

Postagens relacionadas

Deixe um comentário

Are you sure want to unlock this post?
Unlock left : 0
Are you sure want to cancel subscription?
-
00:00
00:00
Update Required Flash plugin
-
00:00
00:00