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O invisível problema das calçadas no Brasil

por Amanda Clark

É evidente a existência de um problema estrutural nas grandes cidades brasileiras, o qual também atinge o Rio de Janeiro. Trata-se de uma questão que não é abordada nos discursos oficiais, não recebe prioridade nos orçamentos e raramente causa indignação pública: as quedas de pessoas nas ruas.

Não estamos tratando de uma metáfora. São quedas reais, frequentes e evitáveis, causadas por calçadas quebradas, mal iluminadas, mal projetadas e negligenciadas.

Curiosamente, a população se irrita com buracos nas ruas que podem danificar seus carros, mas pouco se fala sobre as calçadas perigosas.

Pesquisas internacionais mostram que as quedas de pedestres em calçadas resultam em mais lesões do que acidentes de trânsito. Ou seja, o maior risco para quem anda nas cidades não está no trânsito, mas sim nas calçadas precárias.

No Brasil, a situação é ainda mais grave, pois não há estatísticas adequadas, metas públicas ou políticas estruturadas para lidar com o problema. Existe apenas improvisação, abandono e desigualdade urbana baseada na região do CEP.

Essa situação não se trata apenas de ineficiência, mas sim de negligência. Calçadas ruins não são apenas desconfortáveis, mas afastam os idosos das ruas, dificultam a locomoção de pessoas com deficiência, limitam a circulação de famílias, prejudicam o comércio e impactam negativamente a saúde pública.

Uma cidade que não oferece segurança para o pedestre é, na prática, uma cidade excludente. Ignorar esse problema em um país que está envelhecendo rapidamente é um erro estratégico grave.

Cidades como Barcelona, Londres e Nova Iorque incluíram o cuidado com as calçadas em suas políticas públicas, reconhecendo a importância desse aspecto para a qualidade de vida urbana.

Transferir a responsabilidade para os proprietários de imóveis, sem fiscalização e padrões claros, resultou no cenário de insegurança e desigualdade que presenciamos atualmente.

Uma cidade moderna e inteligente não trata as calçadas como um problema privado, mas sim como parte da infraestrutura pública. Cabe ao Estado garantir a mobilidade segura de seus cidadãos.

É crucial avaliar o impacto das calçadas na população do Rio de Janeiro e do estado como um todo. Uma cidade que coloca em risco seus cidadãos por meio de suas calçadas não pode ser considerada inteligente, inclusiva ou sustentável.

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