O projeto Conexão Silvestre, desenvolvido pela Light com o apoio da Aneel, encerrou seu primeiro ano com um resultado surpreendente: aproximadamente 1,1 mil animais silvestres foram identificados em áreas urbanas do Rio de Janeiro.
O principal objetivo é compreender como a fauna utiliza a infraestrutura da rede elétrica e, a partir disso, implementar medidas para diminuir acidentes e proteger a biodiversidade em locais com maior presença de animais.
A pesquisa é realizada em parceria com o Instituto Vida Livre e a Concert Lab, empresa do Grupo Concert Technologies. O foco está em identificar situações de risco e coletar dados que auxiliem tanto na preservação ambiental quanto no planejamento da infraestrutura elétrica.
No período de janeiro de 2025 a janeiro de 2026, foram instaladas câmeras em 17 pontos estratégicos da cidade. Destas, 12 foram posicionadas no Jardim Botânico, na Zona Sul, e cinco na Zona Oeste, em áreas como Recreio dos Bandeirantes, Vargem Grande e Vargem Pequena.
Nesse processo de monitoramento, foram contabilizados 428 animais. Dentre eles, 120 tiveram interações diretas com a rede elétrica. As espécies observadas incluem macacos-prego, saguis, ouriços-cacheiros e diversas aves.
Além das câmeras, biólogos dedicaram mais de 250 horas a observações de campo e catalogaram cerca de 700 animais. A população também contribuiu para o levantamento por meio de formulários e entrevistas de ciência cidadã. No Jardim Botânico, 70% dos entrevistados afirmaram já ter presenciado animais utilizando a fiação elétrica.
A análise dos dados revelou quais espécies mais frequentemente interagem com os cabos e em quais regiões há maior probabilidade de ocorrer acidentes. Áreas com vegetação mais densa e alta circulação de animais foram identificadas como prioritárias para a implementação de medidas preventivas.
Com base nesse diagnóstico, o estudo sugere ações como podas seletivas próximas à rede, barreiras para evitar a escalada em postes, isolamento de componentes energizados, instalação de dispositivos para dissuadir aves de pousar e a criação de passagens aéreas seguras para o deslocamento da fauna.
O gerente de Meio Ambiente da Light, Felipe Cruz, enfatizou a importância do projeto. “O Conexão Silvestre representa um avanço na compreensão da interação entre a fauna e a infraestrutura urbana”, declarou Felipe Cruz.
Ele também ressaltou a relevância da tecnologia nesse processo. Segundo a empresa, a plataforma desenvolvida pela Concert Lab utiliza inteligência artificial para analisar dados da infraestrutura elétrica juntamente com informações ambientais e padrões de comportamento da fauna.
Essa abordagem possibilita monitorar interações em larga escala, identificar comportamentos recorrentes e definir com mais precisão as áreas que demandam intervenção prioritária.
Para a sócia do Grupo Concert Technologies, Berta Ulmo, o uso dessa ferramenta abre caminho para uma atuação mais preventiva. “A tecnologia desenvolvida permite antecipar os maiores riscos e direcionar ações de forma mais eficaz”, afirmou Berta Ulmo.
O projeto é considerado pela Light como uma iniciativa inovadora no setor elétrico brasileiro e servirá como base para o desenvolvimento de novas soluções voltadas à coexistência entre a rede urbana e a vida silvestre no Rio de Janeiro.
Com informações da Rádio Tupi