A Prefeitura do Rio de Janeiro deu início às obras do Centro Cultural Rio-Áfricas, marcando um importante passo na valorização da Pequena África, na Zona Portuária, como um símbolo de memória, identidade e resistência. O prefeito Eduardo Paes, junto com o vice-prefeito Eduardo Cavaliere, participou do início da demolição de parte da antiga estrutura da Pró-Matre, na Avenida Venezuela, que é o primeiro passo na construção do centro cultural. Esse anúncio acontece logo após a apresentação do projeto Praça Onze Maravilha, que tem o objetivo de promover mudanças significativas na região da Praça Onze, Catumbi, Centro e Estácio.
Eduardo Paes destacou a importância histórica do Porto Maravilha para o projeto. Ele afirmou: “A ideia é consolidar as descobertas feitas nessa área desde a revitalização do Porto Maravilha, incluindo a descoberta do Cais do Valongo. Mais de um milhão de africanos escravizados chegaram por essa região, e nosso objetivo é contar a história dessa conexão entre a formação do Rio de Janeiro e o povo africano. Queremos transformar esses espaços em locais atrativos para turistas e para a população local”, ressaltou Paes durante o evento ao lado de arqueólogos, gestores e representantes do movimento negro.
O projeto arquitetônico foi desenvolvido por Marcus Vinicius Damon Martins de Souza Rodrigues, do Estúdio Módulo, que venceu o concurso realizado pela CCPar em parceria com o IAB-RJ. O foco do projeto é estabelecer uma harmonia com o entorno. O arquiteto explicou: “Nosso objetivo foi criar uma proposta que não busca se destacar, mas sim respeitar e dialogar com o Cais do Valongo. Procuramos estabelecer uma conexão entre a herança africana e o legado da arquitetura moderna brasileira”, disse.
O futuro Centro Cultural terá três pavimentos e um pátio arborizado, ocupando o terreno onde funcionava a maternidade Pró-Matre por quase um século. O projeto paisagístico incluirá espécies como espada-de-São-Jorge, agapanto e capim-do-texas, inspiradas em simbolismos africanos e na flora da Mata Atlântica. A fachada será ornamentada com padrões africanos e painéis perfurados para permitir a entrada de luz natural. No último andar, um terraço oferecerá uma vista direta para o Cais do Valongo.
O presidente do Conselho Estadual dos Direitos do Negro, Luiz Eduardo Negrogun, destacou a importância simbólica do Centro Cultural como uma continuação da antiga função do terreno. Ele afirmou: “Apesar de ainda ser uma maternidade, agora será uma maternidade ancestral, com muitas ideias e projetos. Estou certo de que muitas alegrias continuarão nascendo e prosperando neste local”, expressou.
Essa obra faz parte do projeto de revitalização da Região Portuária iniciado em 2009, que inclui a revitalização do Cais do Valongo e parcerias com órgãos como Iphan, IDG, BNDES e empresas privadas. O terreno pertencia à Cury Construtora, que cedeu o espaço e ficou responsável pela execução das obras como contrapartida à prefeitura. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, destacou o significado simbólico e urbano do projeto, afirmando: “Esse Centro Cultural se junta a um grande esforço de revitalização cultural. Sua localização é estratégica e se integra a outros espaços culturais como o Museu de Arte do Rio e o Museu do Amanhã”, ressaltou.
O Centro Cultural Rio-Áfricas será voltado para valorizar a ancestralidade afro-diaspórica, com exposições, atividades educativas, e espaço para música, dança e teatro. O secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, enfatizou o alcance global do centro, afirmando: “A cultura brasileira sempre reverenciou o continente africano. Este Centro Cultural abrigará exposições permanentes e temporárias, com um foco especial em exposições”, concluiu.