A região do Sul Fluminense se tornou um novo polo para fabricantes chineses de automóveis elétricos e híbridos. Montadoras da China estão se estabelecendo em estruturas industriais já existentes no Estado do Rio de Janeiro, especialmente nas cidades de Resende e Itatiaia, onde estão localizadas as fábricas da Nissan e da Jaguar Land Rover.
Duas frentes principais estão sendo observadas nesse movimento. Em Resende, a Dongfeng planeja sua entrada no mercado brasileiro ao utilizar a infraestrutura da Nissan para a produção local. Por outro lado, em Itatiaia, a Omoda & Jaecoo, uma marca internacional do Grupo Chery, deverá assumir a fábrica atualmente gerida pela Jaguar Land Rover, conforme informações divulgadas.
Dongfeng investe na fábrica da Nissan em Resende
A chegada da Dongfeng está relacionada à nova fase industrial da Nissan em Resende. A montadora japonesa anunciou um investimento significativo de R$ 2,8 bilhões no Brasil, com o objetivo de fabricar dois novos SUVs e um motor turbo em seu complexo fabril localizado no município.
A unidade passou por uma modernização recente que incluiu a introdução de novos equipamentos e a ampliação dos processos automatizados na linha de montagem. Atualmente, são 113 robôs trabalhando na planta após a instalação de novas máquinas nas áreas de pintura e injeção plástica.
Atualmente, a fábrica produz modelos como o Nissan Kait e a nova geração do Nissan Kicks, alinhando-se à estratégia da marca para atender ao mercado nacional e outros países da América Latina. O modelo Kait começou a ser exportado para essa região em 2026.
Com essa base já estabelecida, a Dongfeng pretende acelerar sua inserção no mercado brasileiro. A empresa chinesa deve iniciar suas operações no país com os modelos elétricos Box, um hatch compacto, e Vigo, um SUV. A estratégia inicial prevê a importação dos veículos até que se avance para a fabricação local em Resende.
O modelo Box será direcionado ao segmento de elétricos compactos, com preço previsto em torno de R$ 130 mil, segundo publicações especializadas. Já o Vigo será uma opção elétrica no segmento SUV para diversificar o portfólio da marca no Brasil.
A escolha pela cidade de Resende é estratégica. A fábrica da Nissan foi inaugurada em 2014 e tem capacidade para produzir até 200 mil veículos anualmente. Além disso, já ultrapassou a marca das 700 mil unidades fabricadas até o momento, consolidando sua importância dentro do polo automotivo fluminense.
Chery assume fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia
A outra movimentação chinesa ocorre em Itatiaia. A Omoda & Jaecoo está se preparando para ocupar as instalações que atualmente pertencem à Jaguar Land Rover. Esta unidade abriga há cerca de dez anos as operações industriais da montadora britânica no Brasil.
No momento, essa planta monta os modelos Discovery Sport e Range Rover Evoque, que continuarão disponíveis até que seus estoques se esgotem. A produção local pela Jaguar Land Rover deverá ser encerrada em julho devido a uma mudança estratégica global da empresa.
A unidade de Itatiaia possui um significado simbólico importante; foi a primeira instalação da Jaguar Land Rover fora do Reino Unido e continua sendo a única na América Latina. O complexo recebeu mais de R$ 1 bilhão em investimentos e tem capacidade instalada para produzir até 24 mil veículos por ano, podendo alcançar até 87 mil unidades quando operando plenamente.
A entrada da Omoda & Jaecoo nessa fábrica ainda precisa passar por etapas formais, mas essa movimentação reforça o avanço das montadoras chinesas no Brasil. A marca já manifestou interesse em realizar produção nacional e está avaliando quais modelos serão fabricados no país. Entre os possíveis candidatos estão o Omoda 5 e o Jaecoo 5, com previsão de início das atividades produtivas em 2027.
O Rio de Janeiro ganha destaque na eletrificação automotiva
A chegada dessas montadoras chinesas altera significativamente o papel do Estado do Rio na indústria automobilística. O eixo formado pelas cidades de Resende e Itatiaia não só é reconhecido pela presença de montadoras globais como também começa a se destacar na produção de veículos elétricos e híbridos.
Esse movimento acontece durante um período de crescimento acentuado das marcas chinesas no Brasil. Empresas como BYD, GWM, Chery, Omoda & Jaecoo e agora Dongfeng estão expandindo suas redes de vendas, importação e produção local para ganhar escala em um mercado cada vez mais pressionado pela eletrificação dos veículos, custos competitivos e inovações tecnológicas.
No contexto do Rio de Janeiro, as mudanças vão além das vendas individuais de carros. A utilização das fábricas já existentes pode ajudar na preservação dos empregos industriais locais, atrair fornecedores adicionais e revitalizar o polo automotivo do Sul Fluminense, que ocupa uma posição estratégica entre os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.