Home NotíciasGoverno fluminense impede atividades do Grupo Fit e intensifica pressão sobre Ricardo Magro

Governo fluminense impede atividades do Grupo Fit e intensifica pressão sobre Ricardo Magro

por Amanda Clark

O Governo do Estado do Rio de Janeiro intensificou sua ação contra o empresário Ricardo Magro e as empresas do Grupo Fit. Após a declaração de intenção de desapropriar o terreno da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, a Secretaria de Estado de Fazenda decidiu bloquear as distribuidoras associadas ao grupo.

Conforme informações divulgadas pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, essa ação impede essas empresas de emitir notas fiscais relacionadas à compra e venda de produtos. Isso significa que elas estão impossibilitadas de realizar transações comerciais que dependam desses documentos fiscais.

A medida impacta diretamente a Rodopetro Distribuidora de Petróleo e suas filiais, além das empresas 76Oil, Flagler, Direcional, Manguinhos Distribuidora e Carinthia. Essa restrição representa um novo revés nas operações do grupo no setor de combustíveis.

As empresas afetadas têm uma participação significativa no mercado de etanol. Dados recentes indicam que entre novembro de 2025 e abril deste ano, a Flagler foi responsável por 21,7% das vendas de etanol no estado, enquanto a 76Oil teve uma participação menor, com 0,15%.

Em conjunto, essas companhias permitiram que o Grupo Fit se tornasse líder no mercado fluminense de etanol, alcançando uma participação total de 22%. Com a imposição das restrições fiscais, as atividades comerciais dessas distribuidoras enfrentam obstáculos diretos.

Essas ações fazem parte de uma estratégia do governo estadual para combater a sonegação fiscal e aumentar a arrecadação. Ricardo Magro é considerado pelas autoridades como um dos maiores inadimplentes em relação ao ICMS no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já o descreveu como “o maior devedor de dinheiro público do país”.

A Rodopetro já havia sido investigada anteriormente. Esta distribuidora foi alvo da primeira fase da Operação Carbono Oculto, realizada no final de agosto de 2025, quando foi acusada de fornecer combustíveis para o crime organizado, substituindo outras empresas do setor sob investigação.

Após a repercussão da operação, Ricardo Magro solicitou à Justiça do Rio recuperação judicial da Rodopetro. Este pedido foi protocolado em 10 de setembro de 2025 e aceito no dia seguinte.

Dados da Secretaria da Fazenda apontam que o Grupo Fit acumula uma dívida aproximada de R$ 21,4 bilhões com o fisco fluminense.

A nova ação amplia uma série recente contra os negócios controlados por Ricardo Magro no estado. Há cerca de duas semanas, o governador em exercício, Ricardo Couto, manifestou a intenção de desapropriar o terreno onde está localizada a Refit, principal unidade operacional do grupo no Rio.

Na última sexta-feira, a Secretaria da Fazenda também decidiu cassar a inscrição estadual da refinaria. Com isso, o cerco administrativo em torno dos empreendimentos associados ao empresário se intensificou.

O bloqueio das distribuidoras marca uma nova fase na disputa entre o Governo do Rio e o Grupo Fit, agora caracterizada por ações fiscais e regulatórias direcionadas às empresas ligadas a Ricardo Magro.

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