Home NotíciasFormatura da Escola de Cinema Contracolonial é celebrada na Aldeia Marakanã com exibição de filmes, debates e rituais

Formatura da Escola de Cinema Contracolonial é celebrada na Aldeia Marakanã com exibição de filmes, debates e rituais

por Amanda Clark

No próximo sábado (24), a Aldeia Marakanã, localizada perto do estádio do Maracanã, será palco de um evento simbólico para o audiovisual brasileiro. Será realizada a formatura da turma de 2025 do Cine Tekó – Escola de Cinema Contracolonial, uma iniciativa que visa formar realizadores indígenas e aliados a partir de uma perspectiva decolonial e originária.

O evento, que é gratuito e aberto ao público, não se limita apenas a uma cerimônia de formatura. Durante todo o dia, das 13h às 22h, haverá debates, exibições de filmes, rituais e apresentações musicais. O objetivo principal é desafiar a narrativa histórica do cinema brasileiro, que frequentemente apresentou representações estereotipadas dos povos indígenas.

O cinema como forma de resistência

O Cine Tekó surgiu com o propósito de descolonizar a perspectiva cinematográfica, utilizando as técnicas audiovisuais como uma ferramenta política, cultural e territorial. Ao invés de retratar os indígenas através de um olhar externo, o projeto busca dar voz aos próprios protagonistas das histórias contadas.

A Aldeia Marakanã, conhecida como um território de resistência indígena em área urbana, será transformada ao longo do dia em um espaço de compartilhamento de conhecimento, imagens e narrativas que abordam memória, ancestralidade e luta por direitos.

Debate sobre estética e política

Um dos pontos altos da programação será a roda de conversa intitulada “O cinema contracolonial e o olhar originário das artes visuais”, que acontecerá às 15h. O debate contará com a presença do cineasta e jornalista Patrick Granja, do cacique e pesquisador Urutau Guajajara, e do educador e fundador da Escola de Artes Tendy Koatiara, Ricardo Tupinambá.

O objetivo é explorar a interseção entre estética, linguagem audiovisual e política na produção de imagens que estão comprometidas com os direitos dos povos originários e com a reconstrução de imagens historicamente distorcidas.

Exibição de filmes históricos e narrativas espirituais

No período noturno, serão exibidas obras fundamentais para o cinema indígena e indigenista. A documentarista Vik Birkbeck apresentará “Da UNI para a ONU”, um registro histórico sobre a primeira organização indígena do Brasil, e “Etogo”, realizado em colaboração com o antropólogo e cineasta indígena Idjahure Kadiwel.

Logo em seguida, a cineasta Natália Tupi irá exibir “Os sonhos guiam”, um filme que adentra no mundo onírico e espiritual do povo Guarani Mbya, explorando o papel dos sonhos como uma orientação coletiva e cosmológica.

Cantos ancestrais e celebração

Além das exibições audiovisuais, a programação também destacará a música e os rituais como formas de expressão política. O coral Guarani da Aldeia Mata Verde Bonita e o coral Guajajara, anfitrião do evento, apresentarão cantos tradicionais como forma de afirmar identidade e resistência.

O encerramento ficará por conta do grupo Moleques da Pisadinha, que mescla elementos do forró e da música popular, reforçando a ideia de que a cultura indígena é dinâmica, viva e capaz de dialogar com diversas expressões contemporâneas.

Informações do Evento:

Evento: Formatura da turma 2025 do Cine Tekó – Escola de Cinema Contracolonial

Data: Sábado, 24 de janeiro

Horário: Das 13h às 22h

Local: Rua Mata Machado, 126 (antigo Museu do Índio), próximo ao Estádio do Maracanã, Zona Norte do Rio de Janeiro

Evento gratuito e para todas as idades

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