Home NotíciasFalsos defensores públicos enganam 240 pessoas no Rio de Janeiro em menos de um ano

Falsos defensores públicos enganam 240 pessoas no Rio de Janeiro em menos de um ano

por Amanda Clark

Casos de pessoas enganadas por falsos defensores públicos têm se multiplicado no estado do Rio de Janeiro. A abordagem é direta, convincente e, em muitos casos, termina em prejuízo financeiro. Em nove meses, mais de 240 vítimas já foram identificadas.

Uma delas é a pedagoga Cláudia Cristina do Carmo Carinhanha, que espera desde 2016 o desfecho de um processo judicial. No início de março, ela recebeu uma mensagem que parecia oficial, com logotipo, linguagem formal e até o número correto da ação.

A promessa era de que teria cerca de R$ 40 mil a receber. Para isso, bastaria participar de uma reunião online com um suposto defensor público. Durante a chamada, o homem demonstrava domínio do caso. “Eles falam com muita segurança. Sabem tudo do processo, valores, detalhes. Isso faz a gente acreditar”, contou Cláudia ao site g1.

Depois da conversa, ela recebeu um link, apresentado como sendo da Receita Federal, para confirmar informações. Ao acessar, acabou liberando o controle do celular. Em poucos minutos, os criminosos fizeram transferências via Pix e levaram mais de R$ 10 mil — dinheiro que ela guardava para cuidar da mãe, diagnosticada com Alzheimer.

O caso foi registrado na Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, que investiga a atuação do grupo.

Segundo a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, o golpe segue um padrão. Os criminosos procuram pessoas com processos em andamento e utilizam dados reais — como nome completo, número da ação e detalhes do caso — para dar credibilidade ao contato. A partir daí, pedem transferências ou tentam acessar dados bancários.

Essas informações são obtidas, em muitos casos, a partir de sistemas públicos da Justiça. Com acesso a esse material, os golpistas conseguem montar abordagens personalizadas, o que aumenta o poder de convencimento.

Nem todos os contatos, porém, terminam em prejuízo. A secretária Rakel Soares de Lima também foi procurada, mas desconfiou de inconsistências logo no início. O DDD do telefone não correspondia ao local do processo e havia erro na data de um documento.“Tinham detalhes que não faziam sentido. Foi isso que me fez desconfiar”, relatou ao g1.

Especialistas alertam que a rapidez na reação pode ser decisiva. Em golpes envolvendo Pix, existe o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que pode ser acionado para tentar recuperar o valor. Também é fundamental registrar ocorrência e comunicar o banco imediatamente.

A Defensoria Pública reforça que não cobra por nenhum tipo de serviço, seja atendimento, orientação ou atuação em processos. O órgão também não realiza atendimentos por videochamada fora dos canais oficiais. Qualquer abordagem fora desses padrões deve ser vista com desconfiança.

A Polícia Civil pede que outras vítimas procurem uma delegacia para registrar ocorrência. As denúncias ajudam a mapear a atuação do grupo e identificar os responsáveis.

Postagens relacionadas

Deixe um comentário

Are you sure want to unlock this post?
Unlock left : 0
Are you sure want to cancel subscription?
-
00:00
00:00
Update Required Flash plugin
-
00:00
00:00