A política carioca ganhou uma curiosidade futebolística que diz bastante sobre a cidade. Com a saída de Eduardo Paes e a posse de Eduardo Cavaliere, o Rio de Janeiro volta a ter um prefeito flamenguista depois de 1983. O último havia sido Jamil Haddad, que comandou a prefeitura naquele ano por indicação do governador Leonel Brizola.
O dado chama atenção porque atravessa mais de quatro décadas de história política da capital. Nesse intervalo, passaram pelo comando da cidade prefeitos identificados principalmente com Botafogo, Fluminense e Vasco. Levantamento publicado em 2020 já apontava Jamil Haddad como o último prefeito flamenguista da cidade, enquanto listava Marcello Alencar, Saturnino Braga, César Maia e Marcelo Crivella como botafoguenses, Luiz Paulo Conde como tricolor e Eduardo Paes como vascaíno.
No caso de Eduardo Cavaliere, o vínculo com o Flamengo já aparecia publicamente antes mesmo da transmissão de cargo. Em publicação nas redes, Eduardo Paes brincou com o fato de o vice torcer para o clube da Gávea, e o site Tempo Real também registrou a troca simbólica de um prefeito vascaíno por outro nas cores rubro-negras.
A curiosidade fica ainda mais saborosa quando se chega ao caso de César Maia. Embora tenha sancionado em 2007 a lei que criou o Dia do Torcedor Flamenguista, ele próprio sempre foi identificado como botafoguense. O próprio ex-prefeito já disse, em tom bem carioca, que podia até haver uma “dupla personalidade” entre o homem público e o torcedor, mas a preferência clubística era alvinegra.
No fim, é uma dessas pequenas notas que ajudam a contar o Rio por outro ângulo. A cidade muda de prefeito, muda de projeto político, muda de palanque. E, de vez em quando, muda também de torcida no gabinete. Com Eduardo Cavaliere, o Flamengo volta a ocupar esse espaço simbólico na Prefeitura depois de 43 anos.