A Justiça do Rio de Janeiro sentenciou o empresário e economista Eduardo Fauzi Richard Cerquise a quatro anos e oito meses de reclusão pelo ataque à sede da produtora Porta dos Fundos, que ocorreu na véspera de Natal de 2019, em Botafogo, na Zona Sul da cidade.
O veredicto foi proferido pela 35ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça fluminense e estabelece que Fauzi deve cumprir sua pena inicialmente em regime semiaberto. O juiz responsável pelo caso negou ao réu a possibilidade de recorrer em liberdade, mantendo a prisão preventiva com o intuito de garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal.
Na sentença, o magistrado mencionou o histórico do condenado, que deixou o Brasil em fuga para a Rússia logo após o atentado, sendo extraditado apenas em 2022. A condenação fundamentou-se em evidências técnicas, como reconhecimento facial e filmagens de câmeras de segurança que permitiram reconstruir seu percurso após o ataque.
As investigações indicaram que o ataque foi motivado por descontentamento com um especial natalino produzido pela empresa. Fauzi se declarou membro do “Comando da Insurgência Popular Nacionalista da Família Integralista Brasileira”.
A Polícia Civil identificou o economista cinco dias após o incidente como um dos autores dos ataques com os coquetéis molotov ao prédio. Essa ação foi vista como uma represália ao especial humorístico que apresentava Jesus de maneira controversa.
No momento da agressão, um segurança estava presente e conseguiu controlar as chamas sem sofrer ferimentos. Assim que Fauzi foi identificado, a Justiça determinou sua prisão; no entanto, ele já havia deixado o país.
Durante as investigações em locais relacionados ao acusado, a polícia encontrou R$ 119 mil, duas armas de brinquedo, facas e uma camisa vinculada a um grupo de ideologia nacionalista.
Após sua fuga internacional, a Interpol emitiu um alerta para captura do economista. Ele foi detido em Moscou em setembro de 2020 e permaneceu sob custódia até que a Justiça russa autorizasse sua extradição em janeiro deste ano.
O retorno ao Brasil ocorreu no dia 3 de março, quando ele chegou ao Rio de Janeiro sob escolta da Polícia Federal, após embarcar no Aeroporto Internacional de Vnukovo, na capital russa.