“É necessário sempre acreditar que o sonho é possível, que o céu é o limite e você, truta, é imbatível.” Racionais MC’s – A Vida é Desafio
Começo esta reflexão com essa citação impactante, que atravessa gerações, sentimentos e até mesmo a minha própria trajetória política. Os versos dos Racionais MC’s nos lembram que, apesar dos desafios, é preciso persistência, coragem e criatividade para seguir em frente. E foi exatamente esse sentimento que me acompanhou durante a Semana do Hip-Hop, que encerrou recentemente e ainda me enche de felicidade. O evento evidenciou, mais uma vez, como a cultura é essencial para a política do presente e do futuro. Cada rodada de rimas, cada batalha, cada ocupação de escola pelo movimento, era a juventude reafirmando que é possível sonhar, mesmo em um contexto que muitas vezes tenta desencorajá-los.
Ao percorrer diversas cidades durante esses dias, pude assistir emocionada o hip-hop transformando espaços e impactando vidas. O rap continua sendo uma das linguagens mais potentes do Brasil, por conseguir traduzir com precisão a realidade da juventude negra e das favelas. Não se trata apenas de entretenimento: é identidade, é protesto, é afeto, é sobrevivência, é a nossa visão de mundo. O Rio de Janeiro exemplifica isso com uma força singular, revelando talentos incríveis em cada esquina e beco. Quando os jovens ocupam o território com arte e consciência, eles não só se afirmam como agentes políticos, mas também apontam os caminhos que o Estado deveria seguir.
Por isso defendo a cultura como uma política pública crucial, conectada aos direitos fundamentais. A abertura do curso profissionalizante de DJ no Degase, viabilizado por meio de uma emenda do meu mandato, e as atividades da Lei do Hip-Hop nas Escolas são exemplos concretos do que acredito: quando o Estado investe na juventude com dignidade, transforma vidas e trajetórias. Presenciar esses jovens se reconhecendo, criando oportunidades e ocupando espaços anteriormente marcados pela exclusão só reforça minha convicção de que apoiar o hip-hop é investir nos direitos humanos.
Apesar de minha longa jornada na política, ainda me emociona o carinho da juventude nas ruas. O acolhimento, as histórias compartilhadas, a gratidão expressa e o pedido por continuidade nas políticas culturais são extremamente significativos. Eles sabem que a cultura tem o poder de salvar, pois já salvou muitos deles. E a mim também. Presenciar a esperança nos olhos, a busca por um futuro melhor, a energia que emana das periferias é o que me motiva diariamente. É também o que reforça minha responsabilidade como parlamentar e mulher.
Encerrar essa jornada na emblemática Batalha do Tanque, em Alcântara, foi simbólico. Ali, no coração de uma das batalhas mais representativas do estado, ficou claro que o hip-hop do Rio não se resume apenas a uma expressão cultural. É um movimento social, político e de afirmação. A citação dos Racionais que introduz este texto não é apenas inspiração, é uma constatação. A juventude carioca é imbatível quando tem espaço para existir. E minha missão é assegurar que esses espaços se tornem regra, não exceção. Pois as favelas e subúrbios não apenas produzem cultura. Eles produzem futuro.