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Crítica às lixeiras laranja no Rio provoca reavaliação de estratégias pela Comlurb

por Amanda Clark

Os grandes contêineres conhecidos como “laranjões”, instalados pela Comlurb, tornaram-se parte da paisagem carioca, mas também suscitaram críticas por parte de moradores e comerciantes. Esses equipamentos foram introduzidos com o intuito de modernizar a coleta de lixo e minimizar a quantidade de resíduos nas vias públicas. No entanto, enfrentam problemas recorrentes, como uso inadequado, falta de manutenção e posicionamento impróprio em algumas áreas. Como resultado, a empresa está considerando alterar tanto o modelo quanto a cor das unidades. Informações obtidas indicam essa situação.

Com capacidade para armazenar até 1.200 litros, os “laranjões” já estão espalhados por cerca de 15 mil pontos na cidade, com uma previsão de que 20 mil novas unidades sejam colocadas até o final do ano. A Comlurb afirma que as instalações são fundamentadas em critérios técnicos que levam em conta o fluxo de pessoas, o volume de resíduos gerados e a relevância das áreas escolhidas. Contudo, a realidade observada em diversos bairros mostra um panorama diferente: lixeiras abertas, transbordando e cercadas por entulho, móveis descartados inadequadamente e restos de lixo espalhados pelo chão.

Na Zona Sul do Rio, especialmente em Copacabana, os moradores expressam frequentes incômodos causados pelos contêineres. Esses equipamentos são frequentemente criticados por gerarem mau cheiro, poluição visual e barulho excessivo durante as coletas noturnas. Além disso, há reclamações sobre sua instalação em calçadas estreitas, onde dificultam a passagem de pedestres e comprometem a acessibilidade.

A utilização inadequada dos contêineres piora ainda mais o cenário. Apesar da recomendação para que somente lixo domiciliar devidamente acondicionado seja depositado neles, é comum encontrar itens como colchões e móveis descartados irregularmente. Em um caso alarmante relatado por moradores, um cachorro morto foi achado dentro de um dos contêineres; em outra ocasião, um cofre pesando cerca de 200 quilos foi jogado em uma lixeira na Zona Sul. Horácio Magalhães, presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, argumenta que o modelo precisa ser adaptado à realidade urbana: “Esses contêineres são pesados e complicados de manusear quando cheios; além disso, geram barulho excessivo durante a madrugada”, afirmou.

A conduta da população também é considerada uma parte significativa do problema. Em Botafogo, comerciantes e residentes relatam descargas irregulares de materiais que não deveriam ser colocados nos contêineres. Objetos como móveis velhos e colchões muitas vezes são deixados tanto dentro quanto ao redor das lixeiras. Regina Chiarádia, presidente da Associação de Moradores de Botafogo, destaca a falta de informações claras sobre o uso correto dos equipamentos: “As pessoas ainda não compreenderam que o lixo deve ser descartado apenas no dia da coleta; acabam jogando sujeira durante todo o dia”, explicou.

No bairro de Ipanema, também há preocupações relacionadas à escolha dos locais onde os contêineres foram instalados e ao impacto visual que eles causam. Maria Amélia Loureiro, líder da associação local de moradores, defende critérios mais rigorosos para a colocação desses equipamentos: “Esses coletores não se adequam a qualquer rua; é necessário ter cuidado para não afetar a estética das áreas mais valorizadas”, ressaltou.

Especialistas afirmam que a adoção de contêineres é uma tendência global, mas seu sucesso depende do planejamento adequado e da educação ambiental da população. Antônio Januzzi, diretor técnico da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente, destaca três aspectos fundamentais: “A comunidade precisa entender seu papel no descarte correto dos resíduos. Além disso, garantir uma manutenção adequada e o dimensionamento correto dos equipamentos para cada local é essencial”, comentou.

Apesar das críticas recebidas até agora, a Comlurb declarou que o novo sistema já trouxe avanços significativos. A companhia afirma que a combinação entre os contêineres e os ecopontos resultou na redução de 28% do volume total de lixo nas ruas — cerca de 2.200 toneladas diárias. Contudo, reconhece que ajustes são necessários e está estudando novas abordagens alinhadas às melhores práticas internacionais.

Dentre as mudanças sendo avaliadas está a substituição dos atuais contêineres por modelos com menor impacto visual nas áreas icônicas da cidade, como na orla marítima. A cor laranja característica pode ser substituída pelo cinza em busca do equilíbrio entre eficiência operacional e preservação do ambiente urbano.

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