Home NotíciasClube Federal, no Alto Leblon, é obrigado pela Justiça a realizar eleições após três décadas sem votações

Clube Federal, no Alto Leblon, é obrigado pela Justiça a realizar eleições após três décadas sem votações

por Amanda Clark

A Justiça carioca determinou que o renomado Clube Federal, situado no Alto Leblon, deve convocar em até 30 dias uma Assembleia Geral para a eleição de sua nova diretoria. Essa medida, decidida pela 11ª Vara Cível, resulta de uma ação judicial proposta por dois sócios e inclui a imposição de multas caso a ordem não seja cumprida.

No seu julgamento, a juíza responsável enfatizou que a falta de eleições regulares por um longo período prejudica princípios fundamentais como a autonomia da associação e a democracia na gestão. Além disso, ela destacou o deterioramento das instalações do clube como um motivo adicional que justifica a intervenção judicial imediata.

Esse episódio revela a crise enfrentada por uma entidade que já foi um dos locais mais desejados da Zona Sul do Rio. Localizado em uma das áreas mais valorizadas do Leblon, o clube se vê há anos envolvido em disputas judiciais, além de enfrentar questionamentos sobre sua transparência e uma considerável diminuição no número de associados.

A crise se arrasta e o número de sócios diminui

Desde 2024, o DIÁRIO DO RIO tem acompanhado as dificuldades enfrentadas pelo clube, que já contou com mais de 3 mil sócios e atualmente possui menos de cem. Essa situação é fruto de um longo histórico repleto de problemas administrativos. Desde 1994, quando Alexandre Euclydes Pinaud assumiu a presidência, não há registros de eleições regulares. Uma tentativa de votação em 1998 acabou nas mãos da Justiça, resultando na concentração da gestão em um mesmo grupo familiar, atualmente liderado por Karla Pinaud.

De acordo com relatos de associados, a administração carece de transparência. Eles afirmam que não há clareza sobre os membros da diretoria e que não têm acesso a informações essenciais relacionadas à gestão financeira e administrativa do clube.

No início deste ano, um grupo de sócios recorreu ao Tribunal de Justiça do Rio e obteve uma decisão favorável em primeira instância para que as eleições fossem realizadas. Simultaneamente, foi protocolada outra ação exigindo que o clube apresentasse uma lista atualizada dos associados — um documento fundamental para convocar assembleias. Segundo os autores dessa ação, a lista apresentada incluía nomes de pessoas falecidas, aumentando as suspeitas sobre a condução interna da instituição.

Em abril deste ano, o secretário municipal de Administração do Rio, Bernardo Egas — também associado ao clube — anunciou que entraria com uma ação para forçar a realização imediata das eleições. Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, ele descreveu as condições precárias em que se encontra o espaço, que já foi considerado um dos clubes mais tradicionais da cidade.

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