A demanda por um campus da Uerj na Zona Oeste do Rio de Janeiro ganhou destaque durante o último fim de semana. O assunto foi o foco principal da Roda de Diálogo realizada no sábado (2/5) em Bangu, nas instalações do Instituto de Projetos Socioambientais (Iprosa).
Organizada pela Organização dos Estudantes da Zona Oeste (OEZO), a reunião reuniu estudantes, moradores, educadores e líderes comunitários. A reivindicação central do encontro é a construção de uma sede própria da universidade pública estadual na área.
Atualmente, a Uerj na Zona Oeste opera temporariamente no Instituto de Educação Sarah Kubitschek, localizado em Campo Grande. Essa situação se arrasta há mais de dez anos e se tornou um símbolo das desigualdades no acesso à educação superior para os jovens locais.
Desde 2022, com a incorporação da antiga UEZO à Uerj, há esperança pela criação de um campus próprio em um terreno que pertenceu à Universidade Moacyr Bastos. No entanto, até o momento, o projeto ainda não foi concretizado.
Durante a roda de conversa, os jovens compartilharam suas experiências e discutiram os principais desafios enfrentados na Zona Oeste, incluindo desigualdade social, dificuldades no acesso à educação, transporte ineficiente, saúde precária e problemas de saneamento.
A defesa pela construção do campus definitivo emergiu como uma questão crucial. Os participantes argumentaram que a presença de uma universidade pública com um espaço fixo na região poderia aumentar as oportunidades disponíveis, diminuir as distâncias percorridas pelos estudantes e impulsionar o desenvolvimento local.
No encontro estiveram presentes o ex-vice-prefeito do Rio e pré-candidato a deputado estadual Adilson Pires, do PT, além do pré-candidato a deputado federal Marcelo Freixo, também do partido.
Adilson Pires comprometeu-se a levar a solicitação ao ex-prefeito Eduardo Paes, que é pré-candidato ao Governo do Estado, para que a construção do campus da Uerj na Zona Oeste seja considerada uma prioridade em sua proposta de governo.
“A juventude da Zona Oeste não deseja mais ser espectadora. Quer participar ativamente e criar oportunidades reais. A instalação do campus da Uerj é um passo vital para transformar essa realidade”, declarou Adilson Pires.
Marcelo Freixo também se dirigiu aos jovens presentes e recordou sua trajetória pessoal repleta de desafios semelhantes aos enfrentados pelos habitantes de áreas periféricas. Ele enfatizou a importância de uma nova geração mais consciente e engajada nas decisões sociais.
O presidente da OEZO, Pedro Emmanuel, estudante de Direito de 18 anos, destacou que a luta pela construção do campus definitivo transcende apenas questões estruturais da universidade.
“Nossa realidade exige ação efetiva. A luta pelo campus da Uerj representa também uma busca por dignidade e igualdade de oportunidades”, afirmou Pedro Emmanuel.
A reunião contou com a participação de representantes da Rede Só Cria, estudantes do ensino médio, educadores e líderes comunitários dos bairros Bangu, Padre Miguel, Realengo, Senador Camará, Campo Grande e Santa Cruz.
A mobilização ressaltou a necessidade urgente de investimentos permanentes em educação pública na Zona Oeste, para que os estudantes não dependam mais de soluções provisórias para obter formação superior em sua proximidade.