A hipertensão, muitas vezes silenciosa e frequentemente descoberta em estágios avançados, permanece como um dos principais responsáveis por mortes decorrentes de infarto, AVC e insuficiência cardíaca no estado do Rio de Janeiro. Em 2025, foram contabilizados 34.682 óbitos relacionados a essas condições: 17.234 por infarto, 10.136 por AVC e 7.312 por insuficiência cardíaca. Esses dados são provenientes de um levantamento realizado pela Organização Nacional de Acreditação (ONA), que utilizou o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do DATASUS.
Com a aproximação do Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, celebrado em 26 de abril, a relevância dessas estatísticas se torna ainda mais evidente. A data foi estabelecida para aumentar a conscientização sobre uma doença que avança silenciosamente e pode se desenvolver durante anos antes de resultar em eventos graves.
Em âmbito nacional, a situação também é alarmante. No mesmo ano, o Brasil registrou um total de 346.306 óbitos relacionados a eventos cardiovasculares, sendo 177.810 por infarto, 104.363 por AVC e 64.133 por insuficiência cardíaca.
No contexto carioca, os números refletem a gravidade do problema: a hipertensão não é apenas uma condição comum; ela constitui um fator de risco fundamental para complicações sérias que abarrotam hospitais e podem levar à morte.
“A hipertensão pode causar danos progressivos aos órgãos-alvo como coração e cérebro antes mesmo da manifestação de sintomas”, explica Fábio Basílio, intensivista e membro da ONA. “Infelizmente, muitos indivíduos não têm conhecimento sobre sua condição hipertensiva e acabam recebendo o diagnóstico somente após um evento sério.”
Esse aspecto da pressão alta é crucial: na maior parte dos casos, não apresenta sinais evidentes. Por ser assintomática e não interferir na rotina diária, muitas vezes é subestimada. Quando o diagnóstico finalmente ocorre, o dano já pode estar instalado.
“A detecção precoce e o acompanhamento adequado têm o potencial de reduzir significativamente os riscos de complicações ao longo do tempo; no entanto, sua natureza silenciosa não deve ser menosprezada”, acrescenta Basílio.
As diretrizes brasileiras atualizadas em 2025 destacam que níveis de pressão superiores a 120 por 80 mmHg estão associados ao aumento do risco cardiovascular, mesmo em pessoas que aparentam estar saudáveis. Assim, é fundamental realizar medições regulares da pressão arterial e garantir acompanhamento médico constante.
No caso do AVC, a identificação rápida dos sintomas é crítica. Os sinais de alerta incluem dificuldades para falar, fraqueza em um dos braços, alterações no sorriso, perda de equilíbrio, alterações súbitas na visão e dores intensas de cabeça. A escala de Cincinnati utilizada em atendimentos emergenciais recomenda verificar se a pessoa consegue sorrir adequadamente, levantar os braços e falar com clareza.
“Ao perceber qualquer um desses sintomas, agir rapidamente é essencial. O tempo de resposta pode ser determinante na prevenção de sequelas ou até mesmo da morte”, alerta Fábio Basílio.
Além disso, ele ressalta que os sinais de infarto nem sempre se manifestam da maneira mais evidente. Sintomas como dor ou pressão no peito, falta de ar, sudorese fria, náuseas, tonturas ou desconforto irradiando para braços, mandíbula ou costas requerem atenção imediata. Muitas vezes esses sinais são confundidos com problemas digestivos, o que pode atrasar a busca por ajuda adequada.
No Rio de Janeiro, onde as taxas de mortalidade permanecem elevadas devido a essas condições cardiovasculares, é urgente tratar a hipertensão com seriedade: essa condição não deve ser considerada uma questão menor durante consultas médicas. O diagnóstico precoce aliado ao controle da pressão arterial e à adoção de hábitos saudáveis continua sendo fundamental para evitar complicações futuras.