O campo da neuroreabilitação infantil no Brasil está passando por uma fase de mudanças significativas e desafios. Informações divulgadas em 2023 pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos revelam que uma em cada 36 crianças é diagnosticada com algum grau do espectro autista. Essa realidade se reflete também no aumento constante de diagnósticos relacionados a transtornos do neurodesenvolvimento, TDAH e dislexia no Brasil.
Embora a conscientização sobre o desenvolvimento infantil tenha avançado, especialistas destacam que a infraestrutura de atendimento qualificada não tem acompanhado esse crescimento. “O problema reside na lentidão do crescimento da rede de atendimento”, afirma Marcela Oliveira, fisioterapeuta e fundadora da Clínica Follow Kids. O panorama atual é caracterizado por uma elevada rotatividade no setor, com a abertura frequente de novas unidades que frequentemente carecem de expertise técnica para lidar com casos complexos.
A Clínica Follow Kids se destaca por seu modelo estruturado em um mercado ainda em formação, atendendo milhares de pacientes e operando quatro unidades no Rio de Janeiro, além de planos para expansão futura.
Desafios na continuidade e profundidade clínica
A abordagem moderna em neuroreabilitação requer um modelo que transcenda o mero diagnóstico. Para profissionais da área, o tratamento eficaz de atrasos no desenvolvimento necessita de uma estrutura sólida e multidisciplinar que abranja:
- Fisioterapia neurofuncional;
- Terapia ocupacional e fonoaudiologia;
- Psicologia, psicopedagogia e integração sensorial.
Para que esses serviços resultem em melhorias significativas, é essencial implementar uma “engenharia clínica” que contemple planejamento individualizado e monitoramento contínuo do progresso dos pacientes. A colaboração entre as diferentes especialidades e o acompanhamento regular são vistos como diferenciais fundamentais para sustentar modelos de atendimento em um setor que está evoluindo rapidamente devido aos avanços na neurociência.
Intervenção precoce e apoio hospitalar
A jornada do cuidado deve muitas vezes começar antes da alta hospitalar. Situações que envolvem pós-operatórios delicados, condições raras ou quadros clínicos severos exigem intervenções precoces para influenciar positivamente a trajetória de desenvolvimento da criança.
No presente momento, o modelo de reabilitação busca integrar não apenas os profissionais da saúde, mas também as instituições educacionais e as famílias. “O tratamento não ocorre apenas na clínica; ele precisa ser continuado em casa e na escola”, ressalta Oliveira.
Perspectivas para o setor
Com a ampliação das unidades de atendimento, como a nova instalação planejada para a zona sudoeste do Rio de Janeiro, o setor almeja atender à demanda reprimida e promover um debate mais amplo sobre o acesso a tratamentos adequados e à produção científica robusta na área. O compromisso com a responsabilidade clínica e a constante atualização através de congressos e formações internacionais se tornaram estratégias essenciais para instituições que desejam se firmar como referência no desenvolvimento infantil.