Home NotíciasApós um quarto de século com voto aberto, PDT solicita confidencialidade na eleição do novo presidente da Alerj

Após um quarto de século com voto aberto, PDT solicita confidencialidade na eleição do novo presidente da Alerj

por Amanda Clark

Enquanto o STF ainda discute as regras da sucessão no governo do estado, o PDT abriu outra frente de batalha no Rio de Janeiro. A legenda protocolou um mandado de segurança preventivo no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para pedir que a próxima eleição para a presidência da Alerj seja realizada por voto secreto, e não por voto aberto, como prevê hoje o regimento da Casa.

A ação mira diretamente a disputa pelo comando da Assembleia, hoje cercada por tensão política e judicial. O pedido do partido tenta alterar as regras do novo pleito depois que a eleição que escolheu Douglas Ruas (PL) foi anulada pela Justiça fluminense, sob o argumento de que a votação só poderia ocorrer após a retotalização dos votos de 2022 para deputado estadual, marcada pelo TRE-RJ para esta terça-feira (31).

No mandado, o PDT sustenta que a atual regra do voto aberto, em vigor desde 2001, seria inválida porque a mudança no regimento não teria seguido o devido processo legislativo. Se essa tese prosperar, a eleição interna da Assembleia poderia voltar ao modelo sigiloso usado há 25 anos, quando o voto ainda era depositado na antiga cabine de madeira do Palácio Tiradentes.

O documento é assinado pelos dois deputados estaduais do partido na Casa, Vítor Júnior e Martha Rocha. A legenda afirma que o sigilo seria necessário para proteger parlamentares de pressões e possíveis retaliações num momento em que a disputa pela presidência da Alerj passou a ter efeito direto sobre a crise sucessória no estado.

Como exemplo desse ambiente, o partido cita exonerações assinadas pelo presidente em exercício da Assembleia, Guilherme Delaroli (PL), depois da anulação da sessão que havia escolhido Douglas Ruas. No texto levado ao tribunal, o PDT afirma que “as exonerações confirmam o estado de exceção administrativo instaurado após a eleição impugnada e demonstram, de maneira inequívoca, que a Mesa Diretora atua para consolidar o resultado de eleição viciada; há risco concreto de coação aos parlamentares e servidores”.

A ofensiva tem também um componente político carregado de ironia. O PDT é um partido historicamente identificado com o trabalhismo de Leonel Brizola e, durante anos, esteve entre os defensores do voto aberto na política fluminense. Agora, diante da correlação de forças na Assembleia, a legenda muda de posição e passa a defender justamente o sigilo que combatia como bandeira clássica do brizolismo e do próprio PDT.

A análise do pedido ainda depende de decisão do relator no TJRJ. Até lá, a disputa pela presidência da Alerj continua travada entre a recomposição formal da Casa, após a retotalização, e a tentativa dos partidos de influenciar as regras do novo pleito antes mesmo de a data da eleição ser marcada.

Com informações do Tempo Real.

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