Um grupo de aliados do ex-governador Cláudio Castro (PL) começou a considerar a possibilidade de indicá-lo para uma posição no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Essa movimentação ocorre em resposta a uma recente operação da Polícia Federal, que investiga o ex-chefe do Executivo fluminense por supostos investimentos da Rioprevidência no Banco Master. Reportagens indicam que alguns interlocutores veem essa indicação como uma “saída honrosa” para Castro, que enfrenta inelegibilidade devido a uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral.
A responsabilidade por indicar um novo membro ao TCE-RJ cabe à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), atualmente sob a presidência do deputado Douglas Ruas (PL), aliado de Castro e que busca se firmar como candidato ao governo estadual.
A vaga está disponível desde a saída de José Gomes Graciosa. No entanto, alguns dos aliados demonstram cautela em relação à possibilidade. A análise é de que o clima político se tornou mais tenso após as recentes operações da PF, e novos desdobramentos nas investigações podem influenciar essa decisão.
No contexto da Alerj, já existiam discussões sobre a flexibilização das regras para nomeações em tribunais e agências reguladoras. Uma emenda proposta por deputados estaduais buscava eliminar restrições para candidatos ao TCE, mesmo na presença de condenações por improbidade administrativa ou contas reprovadas, desde que não houvesse uma condenação definitiva.
Esse aspecto ganhou relevância política com a situação atual de Castro, que tenta manter sua influência no cenário eleitoral do Rio de Janeiro, apesar da inelegibilidade imposta pelo TSE.
A operação realizada na terça-feira também complicou os planos do PL relacionados ao Senado. Antes considerado um candidato forte na disputa, Cláudio Castro agora enfrenta resistências crescentes devido ao desgaste causado pelas investigações.
A decisão sobre uma possível candidatura dele, caso consiga reverter sua inelegibilidade, deve contar com a avaliação de Flávio Bolsonaro. O senador está considerando o peso eleitoral de Castro, especialmente nas áreas do interior e na Baixada Fluminense, assim como os riscos de ataques políticos relacionados ao caso do Banco Master.
Recentemente, o ex-governador também foi alvo de um mandado de busca e apreensão da Polícia Federal em outra investigação ligada a suspeitas envolvendo a Refit.
A saída de Cláudio Castro da corrida pelo Senado teria repercussões significativas sobre os planos de Douglas Ruas para o governo estadual. O presidente da Alerj contava com o apoio e os palanques do ex-governador para se promover em suas campanhas pelo interior e pela Baixada, baseando-se no discurso da continuidade da gestão anterior.
Com o cenário político se tornando mais instável, outros nomes dentro do PL estão sendo mencionados como possíveis candidatos ao Senado, incluindo Carlos Jordy, Sóstenes Cavalcante e Carlos Portinho. A maioria dos membros da legenda acredita que uma das vagas na chapa deve ser ocupada por alguém do partido.
A outra vaga da coligação provavelmente será preenchida pelo ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União). Há também quem defenda a candidatura do delegado Felipe Curi (PP) caso Castro não consiga participar das eleições.
Enquanto isso, a possibilidade da indicação de Cláudio Castro para o TCE-RJ surge como uma forma de garantir sua permanência em um cargo institucional. Contudo, essa decisão depende das articulações políticas dentro da Alerj e dos efeitos das investigações em andamento.