Home UncategorizedVitrais da Igreja da Candelária são restaurados após 127 anos: conheça o processo delicado de preservação

Vitrais da Igreja da Candelária são restaurados após 127 anos: conheça o processo delicado de preservação

por amandaclark

Restauração histórica de patrimônio religioso carioca

A Igreja da Candelária, um dos mais importantes templos do Centro do Rio de Janeiro, está passando por um processo de restauração sem precedentes. Os três principais vitrais que ornamentam o coro da basílica, fabricados na Alemanha em 1899, estão sendo desmontados para restauração pela primeira vez em 127 anos. Esta é uma operação delicada que exige máxima atenção e equipes especializadas em preservação de patrimônio histórico.

Os vitrais, compostos por 111 pedaços, foram submetidos a décadas de exposição a vandalismo, poeira e vibrações causadas pelo tráfego intenso na Avenida Presidente Vargas e na Rua da Candelária. A figura central representa Nossa Senhora da Candelária com o Menino Jesus, ladeada por anjos anunciadores nos demais painéis. Durante o desmonte, cada vitral é dividido em 37 pedaços, requerendo um andaime especialmente projetado devido às variações de tamanho das peças.

Processo técnico e especialização na restauração

O trabalho de restauração está sendo coordenado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), em parceria com a Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária e com apoio do Consulado Geral da Alemanha. Helder Magalhães Viana, gerente de Arqueologia do IRPH, vem orientando especialistas e alunos de Museologia e Belas Artes sobre as técnicas envolvidas na preservação deste patrimônio.

A empresa contratada para executar o restauro é a Luidi & Luiza Vitrais, que conta com 50 anos de experiência em restauração de obras similares, incluindo os vitrais do Palácio Pedro Ernesto e da Catedral de Brasília. Os vidros de reposição foram importados da Casa Mayer, de Munique, a fabricante original, fundada em 1847 e administrada pela quinta geração da família alemã.

Técnicas modernas de preservação

A restauração prevê a substituição de peças quebradas, muitas danificadas por vandalismo, utilizando a técnica de sopro de vidro. Este processo envolve soprar ar quente em um tubo de plástico para criar vidros de diferentes formatos e cores, com espessura de 3 a 4 milímetros. As peças que representam 98% da obra original serão limpas com produtos especiais e terão suas cores originais recuperadas através de pigmentos de tintas com chumbo.

O plano de restauração também inclui a instalação de vidraças de proteção e telas metálicas, conforme adotado em países europeus. Será implementado um novo projeto de ventilação para facilitar a entrada e saída de ar junto aos vitrais, evitando umidade que acelera o desbotamento das cores. Esta preocupação é especialmente importante considerando que a igreja fica a apenas 300 metros da Baía de Guanabara, sofrendo constantemente com a maresia.

História artística dos vitrais

A concepção artística original dos vitrais foi desenvolvimento de dois importantes artistas brasileiros: João Zeferino da Costa e Henrique Bernardelli. Os esboços foram enviados para a Alemanha em 1898, um ano antes da instalação na Candelária. Uma das versões difundidas é que a imagem de Nossa Senhora da Candelária foi inspirada na esposa de um amigo de Zeferino.

Zeferino manteve relação com a Igreja da Candelária por aproximadamente 30 anos, criando diversas obras de arte ainda durante a construção do templo. Entre 1869 e 1899, pintou vários quadros e murais que adornam a nave central, capela e outros pontos do templo, incluindo seis quadros no teto da nave que resumem a história da Candelária desde suas origens no século XVII.

Investimento e legado preservado

O projeto “Vitrais da Igreja da Candelária: restauração de um patrimônio em risco” é orçado em R$ 1,6 milhão, com recursos provenientes da fundação alemã Gerda Henkel, que financia projetos de preservação patrimonial. A restauração deve levar quatro meses e inclui formação de mão de obra especializada, com seminário internacional agendado para agosto, exposição pública e publicação de livro documentando todo o processo.

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