Home UncategorizedTécnico pode responder por homicídio culposo após morte de serralheiro em montagem de palco de Shakira

Técnico pode responder por homicídio culposo após morte de serralheiro em montagem de palco de Shakira

por amandaclark

Investigação apura responsabilidade em morte durante preparação de show

O técnico responsável pelo painel de controle do elevador onde o serralheiro Gabriel de Jesus Firmino, de 28 anos, ficou imprensado e morreu durante a montagem do palco do show de Shakira poderá ser indiciado por homicídio culposo. Segundo o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana), existem evidências de que o profissional acionou o equipamento mesmo sabendo que havia um trabalhador no interior do elevador, violando normas básicas de segurança ocupacional.

Violação de Normas de Segurança do Trabalho

O delegado enfatizou que as normas de segurança de trabalho proíbem expressamente o funcionamento de elevadores com pessoas em seu interior. O técnico tinha conhecimento da presença de Gabriel no local, mas acionou o equipamento mesmo assim, segundo as investigações preliminares. O profissional alegou que Gabriel teria dado a ordem para apertar o botão de subir, mas essa justificativa não invalida a responsabilidade do operador em manter os protocolos de segurança.

Falhas estruturais identificadas

As investigações também revelaram deficiências significativas na estrutura de segurança do canteiro de obras. O elevador não contava com botão de pânico, item essencial em equipamentos desse tipo para situações de emergência. Além disso, a polícia apura quantos técnicos de segurança do trabalho estavam presentes no local durante o incidente.

De acordo com o delegado, a comunicação inadequada entre operador e serralheiro contribuiu para o acidente. Gabriel realizava a soldagem do último elevador enquanto se comunicava com o técnico responsável pela operação do equipamento, que estava posicionado a aproximadamente 25 metros de distância. Essa distância considerável prejudicou a fiscalização adequada das operações.

Problemas Adicionais na Contratação

A empresa do serralheiro, MG Coutinho Serviços Cenográficos, não possuía registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RJ), conforme apontado pelo delegado. Essa irregularidade agrava significativamente a situação legal, pois indica falta de conformidade regulatória desde o processo de contratação. O delegado ressaltou que esses problemas se acumulam, transformando um caso de negligência em múltiplas violações de normas trabalhistas e de segurança.

Falha na supervisão de segurança

Se havia técnico de segurança do trabalho no local, esse profissional não deveria permitir comunicação entre operador e serralheiro a uma distância tão grande, nem autorizar o funcionamento do elevador com pessoas em seu interior. Essa supervisão inadequada é considerada parte importante das responsabilidades que levaram ao acidente fatal.

Impacto na Família da Vítima

Gabriel deixa viúva, de 26 anos, e dois filhos pequenos. O serralheiro trabalhava há mais de três anos na empresa contratada para a instalação dos elevadores que fariam parte da estrutura do evento. Sua morte deixa uma família sem seu principal provedor, além de levantarar questões sobre responsabilidade corporativa e cumprimento de normas de segurança.

Andamento da Investigação

As investigações seguem para esclarecer completamente as circunstâncias do acidente fatal. O técnico estava programado para prestar depoimento na terça-feira, mas passou mal e não compareceu à delegacia até o final da tarde. A polícia continua coletando evidências para determinar todas as responsabilidades envolvidas no caso, que pode resultar em indiciamento por homicídio culposo e possíveis ações civis contra as empresas envolvidas na montagem do palco.

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