Investigação apura responsabilidade em morte durante preparação de show
O técnico responsável pelo painel de controle do elevador onde o serralheiro Gabriel de Jesus Firmino, de 28 anos, ficou imprensado e morreu durante a montagem do palco do show de Shakira poderá ser indiciado por homicídio culposo. Segundo o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana), existem evidências de que o profissional acionou o equipamento mesmo sabendo que havia um trabalhador no interior do elevador, violando normas básicas de segurança ocupacional.
Violação de Normas de Segurança do Trabalho
O delegado enfatizou que as normas de segurança de trabalho proíbem expressamente o funcionamento de elevadores com pessoas em seu interior. O técnico tinha conhecimento da presença de Gabriel no local, mas acionou o equipamento mesmo assim, segundo as investigações preliminares. O profissional alegou que Gabriel teria dado a ordem para apertar o botão de subir, mas essa justificativa não invalida a responsabilidade do operador em manter os protocolos de segurança.
Falhas estruturais identificadas
As investigações também revelaram deficiências significativas na estrutura de segurança do canteiro de obras. O elevador não contava com botão de pânico, item essencial em equipamentos desse tipo para situações de emergência. Além disso, a polícia apura quantos técnicos de segurança do trabalho estavam presentes no local durante o incidente.
De acordo com o delegado, a comunicação inadequada entre operador e serralheiro contribuiu para o acidente. Gabriel realizava a soldagem do último elevador enquanto se comunicava com o técnico responsável pela operação do equipamento, que estava posicionado a aproximadamente 25 metros de distância. Essa distância considerável prejudicou a fiscalização adequada das operações.
Problemas Adicionais na Contratação
A empresa do serralheiro, MG Coutinho Serviços Cenográficos, não possuía registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RJ), conforme apontado pelo delegado. Essa irregularidade agrava significativamente a situação legal, pois indica falta de conformidade regulatória desde o processo de contratação. O delegado ressaltou que esses problemas se acumulam, transformando um caso de negligência em múltiplas violações de normas trabalhistas e de segurança.
Falha na supervisão de segurança
Se havia técnico de segurança do trabalho no local, esse profissional não deveria permitir comunicação entre operador e serralheiro a uma distância tão grande, nem autorizar o funcionamento do elevador com pessoas em seu interior. Essa supervisão inadequada é considerada parte importante das responsabilidades que levaram ao acidente fatal.
Impacto na Família da Vítima
Gabriel deixa viúva, de 26 anos, e dois filhos pequenos. O serralheiro trabalhava há mais de três anos na empresa contratada para a instalação dos elevadores que fariam parte da estrutura do evento. Sua morte deixa uma família sem seu principal provedor, além de levantarar questões sobre responsabilidade corporativa e cumprimento de normas de segurança.
Andamento da Investigação
As investigações seguem para esclarecer completamente as circunstâncias do acidente fatal. O técnico estava programado para prestar depoimento na terça-feira, mas passou mal e não compareceu à delegacia até o final da tarde. A polícia continua coletando evidências para determinar todas as responsabilidades envolvidas no caso, que pode resultar em indiciamento por homicídio culposo e possíveis ações civis contra as empresas envolvidas na montagem do palco.