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Sabastian Sawe: conheça o ‘assassino silencioso’ que quebrou a barreira das 2 horas na maratona

por amandaclark

Quem é Sabastian Sawe, o novo fenômeno da maratona

Conhecido entre os seus como o ‘assassino silencioso’, Sabastian Sawe é um corredor queniano discreto e extremamente eficiente, que entrou para a história do atletismo mundial no último domingo ao se tornar o primeiro homem a completar uma maratona oficial abaixo das duas horas. Aos 31 anos, o atleta cruzou a linha de chegada em Londres com o tempo impressionante de 1h59min30s, marcando um novo recorde mundial que estava sendo perseguido há décadas.

Diferentemente de outros grandes nomes das provas de longa distância, o feito histórico de Sawe foi construído longe dos holofotes e da mídia internacional. Seu nome não estava entre os mais badalados antes dessa conquista memorável, o que torna sua vitória ainda mais expressiva e surpreendente para o mundo da corrida.

Uma história forjada no Vale do Rift

Nascido em 1995 no Vale do Rift, no Quênia, Sabastian Sawe cresceu em uma das principais regiões produtoras de corredores de longa distância do mundo. Este território, que já revelou gerações inteiras de campeões como o bicampeão olímpico Eliud Kipchoge, oferece uma combinação única de fatores que facilitam o desenvolvimento de atletas de elite: altitude natural, disciplina cultural e uma tradição profundamente enraizada na prática da corrida.

Filho de um agricultor que cultivava milho, Sawe seguiu um caminho clássico para os quenianos da região. Para os moradores do Vale do Rift, correr não é apenas um esporte, mas parte integral da rotina diária, mesmo sem acesso a estruturas sofisticadas de treinamento. Sawe estudou na tradicional St Patrick’s High School, em Iten, uma das instituições mais associadas à formação de atletas de elite no país.

Uma trajetória sem destaque inicial

Ao contrário de muitos compatriotas que se tornaram fenômenos precoces, Sabastian Sawe iniciou sua jornada na corrida competindo em distâncias mais curtas. A mudança para as provas de fundo ocorreu quase por acaso em 2019, quando chegou atrasado em uma competição e só conseguiu participar dos 5.000 metros, sagrando-se vencedor. A partir desse momento, começou a acumular resultados mais consistentes, ainda que de forma discreta.

Sua entrada na elite do atletismo enfrentou desafios significativos. Há seis anos, uma lesão no tendão combinada com os impactos da pandemia pausaram sua evolução profissional. Sawe manteve sua rotina padrão de treinos enquanto esperava pelas oportunidades nas grandes competições internacionais, ao mesmo tempo que se destacava nas provas de meia maratona, tornando-se campeão mundial dos 21km em 2023.

O ponto de virada na carreira

A mudança decisiva na trajetória de Sawe ocorreu recentemente. Em sua primeira maratona completa, na prova de Valencia em 2024, ele venceu a corrida com um tempo competitivo de 2h02min05s. Subsequentemente, suas vitórias nas Maratonas de Londres (2h02min27s) e Berlim (2h02min16s) no ano anterior pavimentaram o caminho para sua apresentação como um dos grandes favoritos nas ruas londrinas.

O desempenho alcançado no último domingo transcendeu a simples vitória nas distâncias extenuantes de 42 quilômetros. Sawe mudou fundamentalmente os paradigmas do atletismo, similar ao que Jim Hines realizou nos Jogos Olímpicos do México em 1968 ao correr os 100 metros abaixo dos dez segundos.

O papel crucial da tecnologia do tênis

Compreender o feito de Sabastian Sawe exige análise cuidadosa da tecnologia do tênis que utilizou. Há anos, as grandes marcas de calçados desportivos buscam inovações para romper a barreira das duas horas, que durante décadas foi tratada como um limite fisiológico praticamente inquebrável do corpo humano.

A Nike tentou sair na frente anos atrás com o já mencionado Eliud Kipchoge, que em 2019 conseguiu correr abaixo das duas horas, porém o tempo não foi registrado em uma prova oficial. Sawe utilizou o Adizero Adios Pro Evo 3, um modelo da Adidas especificamente desenvolvido para maximizar a eficiência energética do atleta. Pesando menos de 100 gramas, o calçado combina uma espuma de alta resposta com uma placa de carbono, criando um efeito de retorno de energia que reduz significativamente o custo fisiológico ao longo dos 42 quilômetros.

Como a tecnologia impacta o desempenho

Na prática, essa tecnologia revolucionária funciona melhorando a economia de corrida, ou seja, a quantidade de energia que o atleta necessita gastar para manter um determinado ritmo. Conforme reportado pela Reuters, estudos científicos e análises técnicas indicam que esses ‘super tênis’ geram ganhos percentuais pequenos, mas decisivos em competições de elite.

Em uma prova de nível mundial, uma melhora de apenas 1% na eficiência já pode representar alguns segundos ou até minutos de vantagem decisiva. Combinado aos treinos de 240 quilômetros por semana, à alimentação com carboidratos controlados durante a corrida e à hidratação perfeita, o ‘super tênis’ forneceu o impulso final necessário para iniciar uma nova era nas maratonas profissionais.

Vale destacar que os três primeiros colocados na corrida de Londres bateram o anterior recorde mundial estabelecido por Kelvin Kiptum, que era de 2h00min35s, demonstrando o impacto uniforme da tecnologia nas competições de ponta.

O debate sobre limites tecnológicos no esporte

A presença dominante dos ‘super tênis’ nas marcas alcançadas reaviva intensamente o debate acerca dos limites do desempenho esportivo moderno. Críticos apontam para possíveis vantagens tecnológicas desproporcionais, enquanto outros argumentam que a evolução tecnológica faz parte legítima da história contínua do atletismo.

A World Athletics, entidade máxima que governa o esporte, optou por uma abordagem moderada e equilibrada. A organização passou a regular rigorosamente esses modelos avançados, estabelecendo limites técnicos específicos, mas sem impedir completamente seu uso. Existem restrições oficiais quanto à espessura máxima e às placas de carbono permitidas nos calçados utilizados em provas oficiais.

O próprio Sabastian Sawe respondeu às críticas, afirmando que o tênis é confortável, leve e oferece excelente suporte, além de impulsionar o atleta para frente. Ele nega categoricamente que o uso dessa tecnologia possa ser considerado doping, argumentando que o calçado foi devidamente aprovado pelas autoridades competentes do atletismo mundial.

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