Quem é Hamilton Edward Suaki
Hamilton Edward Suaki, médico de 56 anos formado pela Universidade de Santo Amaro (Unisa) em 1999, figura como um personagem central na investigação da Polícia Federal sobre o esquema envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro. Registrado em ortopedia e traumatologia no Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), Suaki mantinha consultório em clínica de ortopedia esportiva na região da Água Branca, zona oeste de São Paulo, antes de se envolver com a estrutura empresarial investigada.
Envolvimento na operação Compliance Zero
Na investigação, Suaki aparece como sócio e diretor de ao menos 18 empresas apontadas como instrumentos de ocultação patrimonial. Sua participação é descrita como formal e relevante no esquema, onde assumia formalmente estruturas societárias utilizadas para dar aparência regular a operações financeiras sob suspeita. O médico é apontado como o diretor escolhido para suposta administração das empresas utilizadas para adquirir os imóveis de alto padrão.
Empresas de prateleira e movimentação financeira
As investigações indicam que seis companhias de prateleira foram constituídas originalmente com capital social de apenas R$ 500, posteriormente inflados para valores que chegam a impressionantes R$ 41 milhões. Essas empresas foram todas registradas em um mesmo endereço na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, criadas em sequência entre julho e outubro de 2024.
Os registros da Receita Federal revelam que, em curto espaço de tempo, essas entidades sofreram alterações sucessivas de razão social, objeto social, sede e quadro diretivo. Passaram a operar exclusivamente como veículos para recebimento de recursos oriundos de fundos ligados à Reag e para a aquisição de imóveis de alto padrão.
Relação com advogado Daniel Monteiro
Suaki é cunhado do advogado Daniel Monteiro, que foi preso durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. Monteiro é considerado pela Polícia Federal homem de confiança de Vorcaro e é apontado como operador jurídico-financeiro do esquema, responsável por administrar fundos e contas utilizados para desvio de recursos e pagamento de propina. Os investigadores o descrevem como o arquiteto jurídico do ex-banqueiro e elo principal com outros advogados envolvidos nas operações.
Imóveis de alto padrão como propina
Seis imóveis adquiridos através dessas empresas teriam sido oferecidos como propina no valor estimado de R$ 146,5 milhões ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também preso na operação. A decisão do ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal descreve que essas pessoas jurídicas, originalmente constituídas por fornecedores de sociedades de prateleira, tiveram razão social, objeto, sede, diretor e capital social alterados em curto espaço de tempo.
Elementos suspeitos na investigação
Um detalhe que chamou atenção dos investigadores foi a padronização dos cadastros, com parte das empresas compartilhando os mesmos números de telefone. Quando procurada, a recepção do edifício onde as empresas estariam registradas afirmou que nenhuma delas funciona ou já funcionou no local, indicando um padrão típico de estruturas de fachada.
A defesa de Suaki não foi localizada e ele não se manifestou sobre as acusações. A investigação continua sob supervisão do STF como parte da Operação Compliance Zero, que busca desmantelar esquemas de ocultação patrimonial e corrupção ligados ao Banco Master.