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Ecora abre consulta pública para padrão de certificação de créditos de carbono no Brasil

por amandaclark

Ecora lança consulta pública para fortalecer certificação de créditos de carbono

A Ecora, certificadora brasileira de créditos de carbono apresentada durante a COP30, deu um passo importante na consolidação do mercado voluntário de carbono nacional. A iniciativa, apoiada por Bradesco, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Fundo Ecogreen, abriu consulta pública para a construção de seu padrão técnico e metodologia de certificação, contando com apoio especializado da Aecom.

Este processo de transparência pretende reunir contribuições relevantes para fortalecer a confiabilidade, consistência metodológica e governança na certificação de créditos de carbono no país. A iniciativa marca um compromisso com a qualidade e a integridade do mercado voluntário brasileiro, áreas estratégicas para o desenvolvimento sustentável.

Quem pode participar da consulta pública

A consulta é direcionada a um amplo espectro de stakeholders, incluindo desenvolvedores de projetos, empresas de validação e verificação, instituições financeiras, investidores e companhias compradoras ou financiadoras de créditos. Além dos agentes de mercado, representantes da sociedade civil, organizações não governamentais, órgãos públicos e entidades de controle também são convidados a participar.

Esta abordagem inclusiva amplia significativamente o escrutínio e a credibilidade do programa, garantindo que múltiplas perspectivas sejam consideradas na construção de um padrão robusto e confiável.

Documentos e metodologias disponibilizadas

Nesta primeira rodada de consulta, a Ecora disponibilizou documentos estruturantes do seu programa de certificação. Entre eles estão o padrão normativo da certificadora e ferramentas metodológicas para avaliação de adicionalidade, além de análises de risco de não permanência — com foco especial em projetos de Agricultura, Florestas e Uso da Terra (AFOLU).

As diretrizes regulatórias aplicáveis ao contexto brasileiro também foram incluídas na documentação. Segundo a empresa, as referências incorporam parâmetros associados ao Artigo 6 do Acordo de Paris e iniciativas internacionais de integridade do mercado voluntário, assegurando alinhamento com padrões globais reconhecidos.

Foco em metodologia REDD para florestas brasileiras

A primeira consulta pública trata especificamente da metodologia de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD), voltada a projetos florestais no âmbito de AFOLU. Esta escolha reflete a importância estratégica dos biomas nacionais para o Brasil na mitigação das mudanças climáticas.

A floresta amazônica, cerrado e outras áreas florestais representam oportunidades significativas para gerar créditos de carbono de alta qualidade, potencializando a participação do país na economia verde global.

Perspectiva dos investidores e financiadores

Marcelo Noronha, CEO do Bradesco, ressaltou a importância da robustez metodológica: “Para investidores e financiadores, a robustez metodológica é decisiva para dar escala ao mercado com confiança. A abertura da consulta pública contribui para fortalecer critérios técnicos, transparência e governança — pilares para reduzir riscos e aumentar a segurança de quem financia e de quem compra créditos”.

Hélio Barbosa Júnior, diretor do Fundo Ecogreen, complementa a visão sobre o compromisso institucional: “A Ecora nasce com o propósito de colocar o Brasil no centro da nova economia verde, com protagonismo e credibilidade”. Esta afirmação reflete o potencial transformador da iniciativa para posicionar o país como líder no mercado global de carbono.

Como participar e próximas etapas

As contribuições podem ser enviadas até 23 de maio por meio da plataforma digital no site oficial da Ecora. Após o encerramento do prazo, os comentários serão consolidados e avaliados tecnicamente, com possibilidade de incorporação às versões finais dos documentos.

A empresa informa que haverá uma segunda rodada de consulta pública, com novos módulos metodológicos e diretrizes complementares. Este processo iterativo garante que a construção do padrão de certificação seja verdadeiramente participativa e fundamentada em múltiplas perspectivas.

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