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Shopping de Niterói busca revitalização em meio a prédios vazios e queda de visitantes

por Amanda Clark

O Niterói Shopping, que durante décadas foi um ícone do comércio e da vida cultural no Centro de Niterói, enfrenta um dos períodos mais críticos de sua trajetória. Com lojas fechadas, corredores desérticos e um movimento significativamente reduzido, o centro comercial busca alternativas para se reinventar diante da crise que afetou o comércio local nos últimos anos. Atualmente, 69 das 109 lojas espalhadas pelos três andares estão desocupadas, representando 63% do espaço comercial sem atividade.

A atmosfera do shopping hoje é bem diferente daquela vivida em tempos passados, quando o local era repleto de visitantes e promovia eventos culturais e apresentações musicais. No segundo andar, apesar de o tradicional restaurante português Vila Melgaço ainda estar em operação, a praça de alimentação se encontra praticamente vazia, com apenas uma unidade funcionando.

De acordo com relatos de funcionários e comerciantes ao jornal O Globo, a movimentação caiu drasticamente após a pandemia de Covid-19. Um garçom do Vila Melgaço, que optou por não se identificar, recordou como era a época em que músicos competiam para se apresentar no palco montado nos corredores do shopping. Ele comentou: “Depois da pandemia, piorou muito. Hoje, o movimento é basicamente composto por pessoas que trabalham nas salas comerciais do prédio. É triste ver como ficou”.

Recentemente, uma falta de energia no edifício agravou ainda mais a situação ao reduzir o fluxo de pessoas e levar à dispensa dos funcionários das salas comerciais localizadas nos andares superiores.

Apesar das adversidades enfrentadas, a administração do shopping informa que está empenhada em reverter esse quadro. Leonardo Mariano, responsável pela gestão do empreendimento há dois anos, acredita na possibilidade de resgatar parte da importância comercial que o shopping já teve. Ele revelou que as estratégias incluem reformas estruturais e melhorias nas áreas comuns, além da busca por novos parceiros comerciais para ocupar os espaços vagos.

“O shopping sofreu bastante com a inadimplência após a Covid-19. Estamos colaborando com uma empresa parceira na busca por operações estratégicas e investindo em melhorias como reformas nos elevadores e nas áreas comuns. Em breve teremos novidades”, afirmou Mariano.

Entidades ligadas ao comércio na região também percebem indícios de uma recuperação gradual para o Centro da cidade. Charbel Tauil, presidente do Sindicato dos Lojistas de Niterói (Sindilojas), acredita que novos investimentos públicos e privados podem revitalizar o comércio local.

“O Centro ficou negligenciado por muito tempo. Agora observamos uma nova abordagem com intervenções em locais importantes como a Rua da Conceição e a Avenida Amaral Peixoto. A chegada de novos empreendimentos residenciais deve acelerar ainda mais a recuperação dessa área”, avaliou Tauil.

Por outro lado, Luiz Vieira, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Niterói, ressalta a importância simbólica do shopping para a cidade e destaca que seu enfraquecimento reflete os desafios enfrentados pelo comércio tradicional no Centro.

“O Niterói Shopping sempre teve um papel estratégico por estar conectado a um dos maiores edifícios comerciais da cidade. Mesmo com um número reduzido de lojas, o fluxo gerado pelas salas comerciais ajudava a fortalecer o comércio ao redor. O momento atual é desafiador, mas o potencial da região ainda existe”, declarou Vieira.

Enquanto busca recuperar sua ocupação e atrair novamente os consumidores, o shopping aposta na revitalização do Centro de Niterói como uma estratégia essencial para restabelecer seu público e evitar que este importante espaço da cidade se torne apenas uma memória do passado.

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