O recente Ranking do Saneamento, divulgado pelo Instituto Trata Brasil com apoio da GO Associados, expôs mais uma vez a disparidade entre as cidades do Rio de Janeiro no que diz respeito à infraestrutura básica. Entre os 100 municípios mais populosos do Brasil, quatro no Rio de Janeiro figuram entre os 20 piores colocados: Belford Roxo, Duque de Caxias, São Gonçalo e São João de Meriti.
A situação mais crítica é a de Belford Roxo, que ocupa a 95ª posição no geral, colocando-a entre os dez piores resultados do país. Este é o pior cenário do estado no levantamento. Apesar de apresentar um índice elevado de atendimento de água, Belford Roxo ainda está muito atrás quando se trata da coleta e tratamento de esgoto, que continuam em níveis muito baixos.
A situação na Baixada Fluminense é preocupante. São João de Meriti ficou na 87ª posição, São Gonçalo na 88ª e Duque de Caxias na 89ª. Nas três cidades, há um padrão semelhante: a maioria da população tem acesso à rede de abastecimento de água, mas o saneamento segue sendo um grande desafio. O antigo problema do saneamento no Rio de Janeiro persiste: a água chega, mas o esgoto continua sendo um problema não resolvido.
No caso de São João de Meriti, o levantamento revela um dado ainda mais alarmante. Entre os anos de 2020 e 2024, o investimento médio anual em saneamento foi de apenas R$ 45,16 por habitante. No total, o município investiu R$ 105,34 milhões nesse período. Este valor é considerado muito baixo para um setor que requer infraestrutura pesada, manutenção constante e expansão da rede.
O próprio ranking destaca que o Plano Nacional de Saneamento Básico aponta um investimento médio ideal de R$ 223,82 por habitante ao ano nas grandes cidades. Apenas dez dos 100 maiores municípios do Brasil alcançam esse patamar. Nas cidades do Rio de Janeiro que aparecem nas últimas posições da lista, a diferença entre o necessário e o realmente investido é significativa.
O levantamento também revela que o problema não está distribuído de forma uniforme pelo estado. Niterói se destaca como a melhor cidade do Rio de Janeiro, ocupando a 7ª posição nacional. Já a cidade do Rio de Janeiro está no meio da tabela, em 50º lugar. Isso evidencia a disparidade brutal entre os territórios do estado.
No topo do ranking está Franca, em São Paulo. O estado de São Paulo domina as primeiras colocações e possui grande parte dos melhores indicadores do país. No Rio de Janeiro, a situação é mais irregular: há casos de relativo sucesso, como Niterói, uma capital em posição intermediária e uma concentração de maus resultados em municípios populosos da região metropolitana.
No final das contas, o ranking confirma o que a população já percebe no dia a dia. O saneamento no Rio de Janeiro permanece sendo um serviço extremamente desigual. Enquanto em alguns municípios ele é tratado como uma política pública bem estruturada, em outros ainda parece ser uma promessa não cumprida, uma obra inacabada ou simples abandono.
Fonte: Tempo Real.