O Aeroporto Internacional do Galeão Antônio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro, passou por uma grande reviravolta no setor de infraestrutura. De um terminal esvaziado nos últimos anos, tornou-se um ativo altamente cobiçado, sendo arrematado por R$ 2,9 bilhões em um leilão realizado na B3, em São Paulo, com ágio de 210,88% sobre o valor mínimo. A vencedora foi a espanhola Aena Internacional, a maior operadora aeroportuária do mundo, que já administra 17 aeroportos no Brasil.
O valor final surpreendeu o mercado, ultrapassando em mais que o triplo a outorga mínima de R$ 932 milhões e superando a expectativa inicial do governo, estimada em cerca de R$ 1,5 bilhão.
A concorrência contou com três grandes empresas globais: Aena, Zurich Airport, da Suíça, e o consórcio Rio de Janeiro Aeroporto, formado pela Vinci Compass e pela Changi, de Cingapura, que atualmente opera o Galeão.
Após propostas iniciais semelhantes entre Aena e Zurich, a disputa seguiu com 26 rodadas de lances no viva-voz. Aena acabou vencendo com a proposta final de R$ 2,9 bilhões, paga à vista.
O alto ágio foi atribuído a mudanças no modelo de concessão, como a substituição da outorga fixa por uma contribuição variável de 20% da receita bruta e a retirada de obrigações consideradas onerosas, como a construção de uma nova pista. A saída da Infraero da sociedade também contribuiu para tornar o ativo mais atrativo.
O principal desafio da Aena será transformar o Galeão em um hub internacional competitivo, em um mercado dominado por Guarulhos e pressionado pela concorrência do Santos Dumont. O sucesso da concessão dependerá de uma estratégia clara de integração com outros aeroportos, como Congonhas.
O Galeão, concedido originalmente em 2013, passou por momentos difíceis com a crise econômica e a pandemia, mas recentemente começou a se recuperar. Com um recorde de 17,9 milhões de passageiros em 2025, o aeroporto ainda tem capacidade para crescer mais.
Com a vitória no leilão, a Aena consolida sua presença no Brasil, administrando cerca de 20% da malha aérea nacional. A empresa vê o Galeão como uma peça-chave para diversificar seu portfólio e focar no tráfego internacional.
Analistas ressaltam que o sucesso da concessão dependerá não apenas da gestão privada, mas também de fatores externos como segurança pública, turismo e políticas de mobilidade, que serão essenciais para sustentar o crescimento da demanda. O leilão do Galeão é considerado um marco na reestruturação das concessões aeroportuárias no país.