Home NotíciasEmanuel Alencar – UENF: Defendendo a Educação no Centro do Norte Fluminense

Emanuel Alencar – UENF: Defendendo a Educação no Centro do Norte Fluminense

por Amanda Clark

Os goytacazes, um povo indígena reconhecido por sua resistência e força, enfrentaram com coragem a invasão de colonizadores que desejavam se apropriar de suas terras. Estima-se que cerca de 12 mil integrantes dessa etnia tenham perdido suas vidas até o final do século XVIII, em decorrência das ações dos portugueses. Apesar dessa triste realidade, a herança cultural e gastronômica deixada pelos goytacazes ainda é visível na região do Norte Fluminense. Ao observar Campos dos Goytacazes de um ponto elevado, uma estrutura que lembra um cocar chama a atenção às margens do Rio Paraíba do Sul; essa construção é a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, cuja trajetória ressoa com a luta histórica dos povos nativos da área.

Fundada por Leonel Brizola e idealizada por Darcy Ribeiro, a universidade enfrenta sérios desafios após 20 anos sem revisão em seu plano de cargos e salários. Recentemente, um grupo de professores endereçou uma carta ao governador interino Ricardo Couto pedindo uma resposta imediata sobre as questões salariais. O documento destaca que, ao completar 33 anos, a UENF se consolidou como um importante centro de pesquisa e pós-graduação no Brasil, mas atualmente atravessa uma grave crise tanto financeira quanto institucional.

“Desde 2014, os vencimentos dos funcionários técnicos e administrativos estão comprometidos em pelo menos 60%”, declarou Marcos Pedlowski, geógrafo e professor da UENF.

No mesmo ofício, é relatado que os docentes estão em greve desde novembro de 2025 e criticam a falta de diálogo da administração do ex-governador Cláudio Castro com a comunidade acadêmica. Em função disso, a associação docente solicita uma reunião com o atual governador interino para tratar de quatro pontos cruciais: elaboração de um novo plano de carreiras, aumento do auxílio-alimentação, reativação dos triênios e pagamento integral da recomposição salarial já aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

A situação da UENF transcende uma mera disputa administrativa; ela representa o descaso com um projeto vital para o desenvolvimento das áreas interiores do estado. Em um contexto onde as desigualdades históricas são marcantes, enfraquecer as universidades públicas implica limitar a produção científica e afastar talentos acadêmicos, além de restringir as oportunidades para muitos jovens. Assim como os goytacazes lutaram para proteger seu território e identidade, hoje a comunidade acadêmica se mobiliza para assegurar a continuidade de uma instituição criada com o propósito de moldar o futuro do Brasil a partir do Norte Fluminense.

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