A adoção de tecnologia de reconhecimento facial nas vans intermunicipais do Rio de Janeiro gerou a prevenção de fraudes em cerca de 30 mil cartões do Bilhete Único Intermunicipal (BUI), resultando em uma economia superior a R$ 3,7 milhões para o estado. Desde que o monitoramento eletrônico começou em janeiro de 2025, ao longo de 15 meses, mais de 52 mil viagens irregulares no transporte complementar foram evitadas.
Essa ação é resultado de uma parceria entre o Governo do Estado e diversas organizações, como a Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram-RJ), o Detro/RJ e a operadora Riocard Mais. O sistema permite uma verificação instantânea da identidade dos passageiros, abrangendo todas as 531 vans regulamentadas que atuam na Região Metropolitana.
Priscila Sakalem, responsável pela Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana, ressaltou que essa abordagem é um marco importante na defesa do orçamento público e na promoção da justiça no acesso ao subsídio. “Estamos integrando inovações tecnológicas com inteligência operacional para garantir que o suporte financeiro seja direcionado apenas àqueles que têm direito. O combate às fraudes é vital para proteger as finanças públicas, assegurar a sustentabilidade do modelo de transporte e fomentar a equidade social entre os usuários do Bilhete Único Intermunicipal”, declarou a secretária.
Mauro Fliess, presidente do Detro/RJ, elogiou a implementação do sistema de rastreamento facial, considerando-o um avanço considerável nas práticas de supervisão e auditoria da rede rodoviária. “A biometria facial nos oferece um controle mais rigoroso sobre os benefícios e ajuda a coibir práticas ilegais no transporte alternativo. Sendo uma iniciativa pioneira no Brasil, o sistema realiza checagens rápidas e precisas, aumentando a confiabilidade em todo o processo”, afirmou.
O Bilhete Único Intermunicipal proporciona um desconto tarifário subsidiado pelo governo estadual, permitindo a integração entre até dois modais de transporte por um custo máximo de R$ 9,40 dentro de um intervalo de três horas. Desde a introdução da verificação biométrica, mais de 566 mil cartões do programa passaram por auditorias, totalizando quase 14 milhões de acessos analisados.
A singularidade desse modelo tecnológico no Rio reside na capacidade dos validadores dos veículos realizarem o processamento diretamente, além da supervisão contínua dos dispositivos e análise das imagens capturadas nas catracas.
Vanessa Alcântara, coordenadora do setor antifraude da Riocard Mais, destacou a relevância desse sistema visual como uma ferramenta essencial para controle e redução das perdas financeiras. “As fraudes deixaram de ser situações isoladas e evoluíram para esquemas complexos que demandam respostas adequadas. O reconhecimento facial tem se mostrado fundamental para minimizar prejuízos. O verdadeiro valor está em transformar tecnologia em eficiência sem incomodar os passageiros legítimos. Além disso, combater o mercado ilegal de passagens é um compromisso com a justiça social”, declarou.
No momento em que o bilhete é lido pelo dispositivo, uma câmera integrada captura a imagem do passageiro e compara os dados faciais com os registros digitais existentes. Em questão de segundos, um algoritmo analisa as características faciais para verificar sua correspondência.
Se houver qualquer discrepância na comparação direta, o caso é encaminhado para uma análise secundária assistida por inteligência artificial. Caso as dúvidas continuem, especialistas humanos examinam a situação antes que qualquer bloqueio preventivo ao cartão seja aplicado.
Quando há confirmação clara da fraude, o validador exibe mensagens informativas: “recadastre-se” na primeira irregularidade identificada ou “benefício suspenso” em casos recorrentes. É crucial notar que o BUI é pessoal e intransferível; compartilhar o cartão com outras pessoas é considerado crime e pode levar a penalidades legais além da perda definitiva do direito ao subsídio.