O julgamento do caso Henry Borel foi adiado para o dia 25 de maio após uma reviravolta no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. A sessão, iniciada nesta segunda-feira (23), foi interrompida depois que a defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior abandonou o plenário.
Com a decisão, a Justiça determinou o relaxamento da prisão de Monique Medeiros, que responderá ao processo em liberdade. Já Jairinho permanece preso. O menino morreu em março de 2021, aos 4 anos, em um apartamento na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade, com sinais de agressão. Desde abril daquele ano, Jairinho e Monique estavam detidos preventivamente.
Sessão interrompida
O júri chegou a ser iniciado, com a formação do Conselho de Sentença — composto por seis mulheres e um homem — e a leitura da denúncia pela juíza Elizabeth Machado Louro. Logo após essa etapa, a defesa de Jairinho pediu o adiamento, alegando dificuldades de acesso a provas do processo. O pedido foi negado pela magistrada, que determinou a continuidade da sessão.
Na sequência, os cinco advogados do réu presentes no plenário anunciaram que deixariam o julgamento. Sem defesa constituída, o júri não poderia prosseguir, o que levou à dissolução da sessão e à dispensa dos jurados. Inicialmente, a nova data havia sido marcada para junho, mas foi antecipada para 25 de maio.
A juíza classificou a conduta da defesa como irregular e afirmou que houve desrespeito às regras do processo judicial. Segundo ela, a atitude se aproxima de abandono processual e compromete o andamento do julgamento. A magistrada determinou que os advogados arquem com os custos da sessão, incluindo despesas com servidores e jurados, e encaminhou o caso à Ordem dos Advogados do Brasil para eventual análise disciplinar.
Diante do adiamento, a juíza entendeu que a manutenção da prisão de Monique poderia configurar excesso de prazo e determinou sua soltura imediata. A decisão considerou o tempo de duração do processo e o intervalo até a nova data do júri. O Ministério Público informou que vai recorrer.
Argumentos da defesa
Durante o processo, os advogados de Jairinho questionaram a validade dos laudos periciais que apontam a causa da morte de Henry. A defesa sustenta que há contradições entre os documentos e levanta suspeitas sobre possíveis alterações nos relatórios.
Segundo os advogados, mensagens obtidas por meio de extração de dados indicariam contato entre um perito e a chefia do Instituto Médico-Legal antes da conclusão de um dos laudos.
A banca também afirma que a criança pode não ter sido vítima de agressões, sugerindo que manobras de reanimação realizadas no Hospital Barra D’Or poderiam ter causado lesões.
As autoridades responsáveis pela investigação e o hospital, no entanto, sustentam que Henry já chegou sem vida à unidade de saúde.
Após o encerramento da sessão, o pai do menino, Leniel Borel, criticou o adiamento do julgamento. Ele afirmou que a interrupção aumenta o sofrimento da família e disse que o filho foi “assassinado pela segunda vez”, reforçando a cobrança por justiça.
*Com informações do site G1.