No próximo terça-feira (10h), a Câmara Municipal do Rio de Janeiro promoverá uma audiência pública no Palácio Pedro Ernesto para debater a implementação do sistema de pagamento digital nos ônibus da cidade. A proposta visa substituir o dinheiro em espécie pelo sistema Jaé. Essa mudança trará novas diretrizes para a integração: os benefícios do BUC e do BUM serão exclusivos para quem utilizar o cartão preto do Jaé ou o QR Code, enquanto o cartão verde será limitado ao uso em passagens avulsas. O evento será aberto à população e contará com a presença de representantes da prefeitura e do setor de transporte.
A audiência tem como objetivo principal esclarecer as mudanças que entrarão em vigor a partir de 30 de maio, conforme informado pela Câmara Municipal. Marcelo Diniz, presidente da Comissão de Transportes e Trânsito, que inclui os vereadores Joyce Trindade (PSD) e Poubel (PL), destacou a importância de expandir os locais onde o cartão Jaé pode ser adquirido e garantir que aceitem diferentes formas de pagamento, incluindo dinheiro e cartões. “Esses pontos devem ser acessíveis às comunidades e situados em áreas com grande movimentação para facilitar o acesso ao transporte público”, afirmou Diniz.
Em coletiva realizada na quinta-feira, o prefeito Eduardo Cavaliere e o secretário de transportes Jorge Arraes abordaram as controvérsias sobre o fim do pagamento em dinheiro nos ônibus cariocas. A implantação obrigatória do cartão terá início no dia 30 de maio; no entanto, um projeto-piloto começará já neste domingo (17), às 5h, na linha 634 (Ilha x Tijuca), onde não será mais aceito dinheiro físico como forma de teste para o novo modelo.
A prefeitura esclareceu que essa decisão visa aumentar o controle e a transparência nas arrecadações tarifárias, diminuir o tempo de embarque, eliminar a manipulação de dinheiro pelos motoristas e proporcionar maior segurança aos passageiros. “Não estamos eliminando a possibilidade de pagamento em dinheiro no sistema; apenas deixaremos de aceitar esse método diretamente com os motoristas. As pessoas ainda poderão usar dinheiro nas máquinas de autoatendimento”, explicou Eduardo Cavaliere. Ele também comparou a mudança aos sistemas já adotados pelo BRT e VLT, onde é necessário utilizar cartão para embarcar. “Os usuários precisarão se organizar para usar o sistema, adquirindo créditos antecipadamente ou utilizando o aplicativo”, completou.
Jorge Arraes enfatizou os benefícios dessa nova abordagem, mencionando que ela já foi adotada em outras cidades brasileiras. “O pagamento em dinheiro não é auditável e coloca pressão dupla sobre os motoristas. Ao eliminar essa prática, não só reduzimos riscos de acidentes como também melhoramos a pontualidade das viagens ao diminuir o tempo das paradas. O Rio não é pioneiro nessa mudança; cidades como Brasília, Campinas e Florianópolis já implementaram essa medida”, destacou o secretário, ressaltando que atualmente apenas 9,2% dos usuários utilizam dinheiro como forma de pagamento embarcado, uma queda em relação aos 20,3% registrados em 2015.
O cartão Jaé tem um custo de R$ 5 e está disponível apenas nas máquinas localizadas em estações do BRT, metrô e VLT. Os usuários podem recarregar créditos em dinheiro nas máquinas de autoatendimento (ATMs) do Jaé, que estão espalhadas por cerca de 2 mil pontos na cidade, além das bilheteiras nos terminais do BRT. A recarga através do aplicativo permite pagamentos via Pix ou crédito com liberação imediata para utilização.