Home InternacionalMãe escava escombros com as próprias mãos em busca do filho após terremotos devastadores na Venezuela

Mãe escava escombros com as próprias mãos em busca do filho após terremotos devastadores na Venezuela

by Guilherme Salles

O Desespero de Amparo del Giudice em Meio aos Escombros

Amparo del Giudice escava com as próprias mãos uma montanha de escombros em busca do filho, uma das vítimas dos terremotos mais devastadores da Venezuela desde 1900. A história dela representa uma entre tantas tragédias provocadas pelos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o norte do país na quarta-feira, com menos de um minuto de intervalo entre os dois eventos sísmicos.

Desesperada com a demora na chegada das equipes de resgate, Amparo cavava com as próprias mãos enquanto chorava inconsolavelmente em um bairro de La Guaira, a região mais atingida pelos terremotos. Em meio ao seu desespero, ela expressava sua impotência frente à situação: “São muitas pedras e com as mãos não dá”. A falta de recursos e de ajuda governamental agravava ainda mais seu sofrimento, como evidenciado em suas reclamações sobre a ausência de água na área afetada.

O Cenário de Devastação em La Guaira

La Guaira, com cerca de 25 mil habitantes e localizada a 40 quilômetros de Caracas, abriga o Aeroporto Internacional de Maiquetía e é o destino de praia preferido dos moradores da capital. A região foi particularmente afetada pelos terremotos, com destruição generalizada em suas estruturas urbanas. A maioria dos edifícios altos com piscina ficou danificada em Los Corales, bairro de classe média onde famílias como a Del Giudice buscam desesperadamente notícias de seus entes queridos desaparecidos.

Nuvens de Poeira e Estruturas Destruídas

Nuvens de poeira ainda pairam entre edifícios de luxo com vista para o mar do Caribe, reduzidos a montanhas de escombros. Grande parte das construções ao longo da costa tornou-se inabitável, enquanto outras desapareceram completamente. A principal rodovia que corta La Guaira ficou rachada em vários trechos, dificultando ainda mais o acesso às áreas afetadas e as operações de resgate.

Dois hotéis cinco estrelas estão entre as estruturas que desabaram completamente. Equipes de resgate e voluntários escalavam montanhas de escombros do que antes eram prédios de até 15 andares. Gritos com os nomes dos desaparecidos ecoavam entre enormes paredes rachadas, criando uma atmosfera de angústia e desespero.

Números Alarmantes e Resposta do Governo

O balanço oficial aponta pelo menos 589 mortos, embora haja temor de que o número final de vítimas chegue aos milhares. A presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em janeiro, visitou na quinta-feira a região, declarada pelo governo como “zona de desastre”. A AFP também constatou saques em áreas atingidas, evidenciando o caos que tomou conta da região.

Sinais de Esperança Entre a Destruição

Alessandro del Giudice, de 23 anos, voltou a vestir seu capacete de bombeiro voluntário para ajudar sua avó a encontrar algum sinal de vida de seu pai. Mensagens de esperança começam a surgir entre os escombros, como a inscrição na lateral de uma casa: “Família Pérez, vivos”, que parece ter sido arrancada do chão pelo impacto do terremoto.

As réplicas continuam sendo registradas na região, e alguns edifícios gravemente danificados rangem a cada novo tremor, mantendo a população em estado de alerta constante. Há estruturas destruídas e rostos marcados pelo desespero por todos os lados, lembrando o preço humano dessa tragédia natural.

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