Home EsportesAlejo Muniz encerra carreira na WSL com legado de resiliência: ‘Só consigo pensar em gratidão’

Alejo Muniz encerra carreira na WSL com legado de resiliência: ‘Só consigo pensar em gratidão’

by Guilherme Salles

Uma Despedida Memorável no Circuito Mundial de Surfe

A eliminação para o australiano Ethan Ewing no Vivo Rio Pro marcou bem mais do que o encerramento da participação de Alejo Muniz na etapa brasileira do Circuito Mundial de Surfe. Aos 36 anos, o atleta catarinense vive sua última temporada competitiva na elite da WSL (World Surf League) e começou oficialmente sua despedida de um palco que ajudou a construir ao longo de sua histórica carreira no surfe profissional brasileiro e internacional.

O resultado em Saquarema teve pouco a ver com frustração e muito a ver com reflexão profunda sobre uma jornada de mais de duas décadas. Dias após deixar a competição, Alejo compartilhou com exclusividade os sentimentos que tem carregado durante aquele que ele próprio definiu como seu ano simbólico de despedida.

O Sentimento que Domina Este Momento Especial

A única palavra que consegue resumir este período é gratidão, conforme afirmou o veterano. O que representa esta etapa em sua carreira e vida pessoal superou até suas próprias expectativas. Ver a alegria de amigos, familiares reunidos e toda a comunidade do surfe junta configurou um momento especialmente significativo para o atleta.

O catarinense foi eliminado na segunda fase da competição, encerrando sua trajetória competitiva em Saquarema. Porém, a derrota desportiva acabou ficando completamente em segundo plano diante das homenagens recebidas durante toda aquela semana memorável. Dirigentes da WSL, colegas de profissão e pessoas que acompanharam sua jornada desde o início prestaram tributo ao seu legado.

Uma Carreira Marcada por Persistência e Retorno Improvável

Alejo anunciou formalmente em fevereiro que 2026 seria sua última temporada no Championship Tour, encerrando uma carreira extraordinária marcada por persistência inabalável, lesões graves e uma das histórias de retorno mais impressionantes do surfe brasileiro contemporâneo.

Integrante da lendária geração conhecida como Brazilian Storm, ele estreou na elite em 2011 e conseguiu terminar sua primeira temporada entre os dez melhores surfistas do mundo. Posteriormente, enfrentou uma sequência devastadora de lesões graves nos joelhos que comprometeram sua sequência no Tour. Passou oito anos árdos tentando retornar ao circuito principal, período marcado por cirurgias, reabilitações e tentativas frustradas.

Seu retorno triunfal só aconteceu em 2025, após conquistar novamente uma vaga através da Challenger Series. Esta volta representou uma das trajetórias mais improváveis e inspiradoras da elite mundial do surfe.

Competitividade Intacta Durante o Último Ano

Curiosamente, Alejo admite que imaginava viver este último ano de forma mais descontraída e leve. Na prática, porém, sua competitividade permaneceu absolutamente intacta e vibrante. Quando coloca a lycra para competir, continua desejando vencer cada bateria com toda sua determinação.

A diferença fundamental, segundo o próprio surfista, está no modo como passou a encarar cada etapa e cada momento. Historicamente foi muito focado no próximo resultado, na próxima bateria. Se perdia uma competição, já estava pensando no campeonato seguinte. Neste ano especial consegue aproveitar muito mais os lugares, os amigos e as pessoas ao seu redor, permanecendo muito mais presente e consciente.

Legado de Resiliência e Disciplina

Ao olhar para trás, Alejo acredita que existe uma palavra capaz de resumir sua caminhada inteira: resiliência. Quando decidiu se aposentar, começou a refletir sobre a Brazilian Storm e o que cada atleta daquela geração deixou para o surfe. Felipe deixou o talento extraordinário, Gabriel deixou a magia, Ítalo deixou uma capacidade absurda de vencer. E ele compreendeu que sua contribuição foi justamente a resiliência e a disciplina demonstradas ao longo de décadas.

Essa percepção encontra respaldo profundo na própria história do surfista. Depois de anos entre cirurgias, reabilitações extensas e tentativas frustradas de retorno ao CT, protagonizou uma volta improável e inspiradora.

Planos Para o Futuro Além da Competição

Agora, com a aposentadoria se aproximando, os planos passam longe das longas viagens internacionais que marcaram sua vida profissional durante mais de duas décadas. Alejo deseja aproveitar seu filho e sua esposa, que foram grandes motivos para sua decisão de parar.

Isso não significa uma despedida definitiva do surfe. Alejo revelou que gostou significativamente da experiência como comentarista e não descarta trabalhar futuramente como treinador. A chama de ser técnico está começando a acender, conforme revelou, podendo se concretizar num futuro próximo.

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