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PF amplia investigação sobre fraudes no Digimais: carteiras sem lastro, terreno fantasma e carros inadimplentes

by Guilherme Salles

Polícia Federal intensifica apuração de fraudes financeiras no Banco Digimais

A Polícia Federal está expandindo significativamente suas investigações sobre as alegadas fraudes financeiras que envolvem o Banco Digimais. Os investigadores analisam minuciosamente documentos de contabilidade, relatórios de auditorias independentes e processos judiciais para determinar o verdadeiro valor do patrimônio dos fundos associados à instituição financeira.

As investigações revelaram a existência de carteiras supostamente vinculadas ao Banco Master que carecem de documentação comprobatória de lastro. Além disso, foram identificadas carteiras baseadas em empreendimentos imobiliários ainda não construídos e créditos relacionados a financiamentos de automóveis apresentando elevados índices de inadimplência.

Estratégia de inflação de ativos e ocultação de insolvência

Conforme a Polícia Federal, o grupo inflacionava deliberadamente o valor desses ativos para dissimular a verdadeira situação de insolvência da instituição. Essas práticas podem caracterizar os crimes de gestão fraudulenta e inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis, violando normas regulatórias essenciais do sistema financeiro brasileiro.

O banco Digimais, em comunicado oficial, afirmou estar à disposição das autoridades competentes para prestar esclarecimentos e colaborar plenamente com as investigações em curso. A instituição reafirmou seu compromisso com transparência, conformidade regulatória e cooperação total com órgãos supervisores.

Conexões entre Digimais e Banco Master sob escrutínio

A Polícia Federal busca identificar possíveis conexões operacionais entre o Digimais e o Banco Master, observando similaridades no modus operandi das operações financeiras. Uma ação judicial anterior, mencionada no relatório policial, descreve como um fundo foi prejudicado pela aquisição de uma carteira de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) completamente desprovida de lastro.

Uma auditoria contratada pelo fundo danificado constatou que 42% da carteira apresentava pendências críticas de documentação. O fundo também informou que sofreu perdas significativas ao descobrir que parcela substancial dos CCBs tinha origem diretamente relacionada ao Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.

Avaliações inflacionadas e operações suspeitas identificadas

O relatório da Polícia Federal destaca operações suspeitas previamente reportadas pela revista Piauí em março. Uma administradora de fundos precificou artificialmente um terreno em Pernambuco em R$ 150 milhões, quando seu valor real era aproximadamente R$ 10 milhões. Adicionalmente, uma carteira de automóveis foi avaliada em R$ 3,5 bilhões, valor substancialmente superior ao seu real.

Regarding o empreendimento em Pernambuco, o banco aportou recursos em projeto que ainda não possui licença da prefeitura de Goiana para construção. Os imóveis integram o patrimônio de fundo no qual o Digimais funciona como cotista. Concernente à carteira de automóveis, um fundo com participação do banco elevou artificialmente seu patrimônio em R$ 350 milhões.

Estratégia de captação irregular e ampliação do inquérito

Essas operações fraudulentas permitiram que o Digimais emitisse Certificados de Depósito Bancário (CDBs) adicionais, títulos de renda fixa utilizados para captar recursos no mercado financeiro. A Polícia Federal ressaltou que os mandados executados visavam identificar outros possíveis ilícitos ainda desconhecidos e realizar diligências investigatórias complementares.

A análise dos investigadores conclui que a oferta de títulos com remuneração significativamente superior à média de mercado, combinada à manutenção de ativos de baixa liquidez e exposição a créditos de origem duvidosa associados ao Banco Master, sugere ocorrência de gestão temerária ou fraudulenta que merece investigação aprofundada e punição exemplar.

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