Impacto devastador do vendaval no Rio de Janeiro
O vendaval que atingiu o estado do Rio na última quarta-feira deixou um rastro significativo de destruição, resultando em três mortes, paralisação dos transportes e um apagão generalizado em bairros da capital e da Baixada Fluminense. Três dias após o episódio, o fornecimento de energia elétrica e água ainda não foi totalmente normalizado em diversas regiões, afetando milhares de consumidores e gerando uma crise de serviços essenciais.
O fenômeno meteorológico, considerado raro, apresentou características intensas com rajadas de vento extremamente fortes. Inicialmente, aproximadamente 1,6 milhão de pessoas ficaram sem energia, enquanto quase 800 ocorrências foram registradas. Os danos estruturais às redes de distribuição de energia e água exigiram reparos complexos que se estenderam além dos primeiros dias.
Ação judicial contra a Light e situação atual da energia
Diante da situação crítica, a Justiça do Rio atendeu a um pedido da Defensoria Pública em Ação Civil Pública ajuizada contra a Light no sábado. A decisão judicial determinou que a concessionária restabeleça imediatamente o fornecimento de energia elétrica em todas as áreas ainda desabastecidas, incluindo a Zona Oeste e a Baixada Fluminense. Uma multa diária de R$ 50 mil foi estabelecida em caso de descumprimento da ordem.
A Light informou que aproximadamente 4 mil consumidores continuavam sem energia, representando cerca de 0,1% de sua base total de clientes. A empresa explicou que os atendimentos remanescentes concentram-se em casos isolados que exigem reparos complexos, como a reconstrução completa de trechos da rede com instalação de postes, transformadores e linhas de distribuição de forma individualizada.
Em Paraty, na Costa Verde, a concessionária Enel registrava 1.300 clientes ainda sem energia na manhã do sábado. Esses casos demandam a reconstrução de trechos inteiros da rede elétrica, incluindo substituição de postes, transformadores e recondução de quilômetros de cabos. A atuação das equipes também dependia da remoção de árvores e liberação de vias interditadas. A Enel Rio informou ter restabelecido o fornecimento para 99,7% dos clientes atingidos.
Situação crítica no abastecimento de água
O impacto do vendaval também afetou gravemente a distribuição de água em diversas regiões. A situação variava conforme a concessionária responsável pelo fornecimento em cada área do estado.
Águas do Rio: 18 bairros da Zona Norte afetados
Pelo menos 18 bairros da Zona Norte permaneciam com fornecimento de água interrompido. Os principais problemas incluíam vazamentos nas redes de distribuição, especialmente nos bairros de Campinho, Engenho da Rainha e Todos os Santos. Adicionalmente, alguns sistemas de bombeamento paralisaram por falta de energia elétrica, enquanto equipamentos danificados ainda eram reparados.
Os bairros afetados incluíam: Brás de Pina, Complexo do Alemão, Del Castilho, Engenho da Rainha, Irajá, Jacaré, Jacarezinho, Mangueira, Morro dos Telégrafos, Penha Circular, Riachuelo, Rocha, Sampaio, São Francisco Xavier, Vila da Penha, Campinho, Madureira e Praça Seca. A concessionária alertou que a normalização total do abastecimento poderia levar 72 horas ou mais, especialmente em áreas elevadas e nas pontas das redes de distribuição.
Baixada Fluminense: vazamento em Nova Iguaçu
Na Baixada Fluminense, os municípios de Nova Iguaçu e Queimados continuavam com abastecimento interrompido devido a um vazamento em rede de distribuição localizada na Rua Rosário, no bairro Cabuçu. As regiões impactadas eram Vila Americana em Queimados e áreas de Nova Iguaçu como Campo Alegre, Palhada e partes dos bairros Cabuçu, Jardim Palmares, Riachão e Valverde.
Rio+Saneamento e Iguá: normalização gradual
A Rio+Saneamento enfrentava problemas na Estrada da Posse, onde um sistema de bombeamento permanecia sem energia. Já a Iguá Rio, que atende a Zona Sudoeste com bairros como Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes, teve seu sistema impactado pela paralisação do Sistema Guandu. O processo de normalização também poderia levar até 72 horas após o restabelecimento completo da energia.
A população foi orientada a utilizar água armazenada em cisternas e caixas-d’água apenas para atividades essenciais durante o período de crise.
