Home BrasilA Noite Oficial dos Óvnis: Há 40 Anos, Caças da FAB Perseguiram Objetos Voadores Não Identificados

A Noite Oficial dos Óvnis: Há 40 Anos, Caças da FAB Perseguiram Objetos Voadores Não Identificados

by Guilherme Salles

O Chamado Noturno na Base de Santa Cruz

Em 19 de maio de 1986, um episódio extraordinário marcou a história da aviação brasileira e da ufologia mundial. O jovem tenente Kleber Caldas Marinho, então com apenas 25 anos, recebeu um chamado inusitado às 22h27 em seus aposentos na vila dos oficiais da base da Força Aérea Brasileira (FAB) na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Diferentemente de treinamentos rotineiros, essa missão tinha um objetivo sem precedentes: interceptar objetos voadores não identificados (óvnis) detectados pelos radares do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta) na região de São José dos Campos, no Vale do Paraíba paulista.

Sem conhecer os detalhes operacionais, Marinho dirigiu-se ao hangar onde seu caça F-5 (prefixo FAB-4848) aguardava pronto para decolagem. Em apenas sete minutos, a aeronave estava no ar, iniciando uma missão que duraria 1 hora e 3 minutos e que entraria para os registros históricos como a “Noite Oficial dos Óvnis”. Este evento permanece, até hoje, como um dos casos mais impressionantes e bem documentados de avistamentos de óvnis no mundo.

A Perseguição Começava

Kleber Marinho foi o primeiro dos cinco caças da FAB a decolar naquela noite histórica. Levou apenas 15 minutos para chegar à região onde os óvnis haviam sido avistados. Além dos registros inusitados captados pelos radares, diversos relatos chegavam de controladores de voo em torres de comando descrevendo luzes capazes de realizar manobras incompatíveis com qualquer aeronave conhecida naquele período.

Ao todo, 21 objetos foram mapeados durante a operação. Mantendo contato permanente com os operadores em terra, Marinho se aproximou de um dos alvos, sendo redirecionado posteriormente para a região do litoral após uma varredura inicial nas imediações de São José dos Campos. Nesse momento da missão, algo extraordinário aconteceria.

O Contato Visual Decisivo

Sobre a região do litoral, em uma área de escuridão profunda, Kleber Marinho avistou uma luz extremamente intensa que se destacava do contexto ao redor. Segundo seu relato posterior: “A impressão que eu tinha é que se deslocava da direita para a esquerda como se tivesse quase em ângulo de interceptação da minha aeronave”. O piloto imediatamente consultou o Cindacta sobre a possibilidade de haver um avião comercial naquela área. A resposta foi negativa.

Ao informar que tinha contato visual com o objeto, recebeu a confirmação do Cindacta de que o alvo também estava no radar. Nesse momento crítico, a aeronave foi colocada em “rojão” – jargão da FAB que significa modo de combate, com todos os armamentos disponíveis a bordo prontos para uso. Kleber Marinho curvou em direção ao alvo, desceu ligeiramente, acionou a pós-combustão e entrou em velocidade supersônica.

A Perseguição Supersônica

Com o radar acionado pela primeira vez durante a operação, Marinho detectou imediatamente um alvo sólido em sua frente. Na segunda varredura radar, a detecção foi confirmada. O objeto desapareceu momentaneamente de seu campo visual, mas o ajuste do radar revelou novamente o alvo, desta vez em altitude superior.

Já em velocidade supersônica, Marinho não conseguia se aproximar mais do objeto. Conforme descreveu: “Eu, já supersônico, não conseguia chegar mais perto dele. Minha velocidade já não conseguia uma aproximação maior do que aquela”. A segunda detecção no radar confirmava o que precisava saber: havia realmente um alvo sólido em sua frente com movimento regular e consistente.

A perseguição durou pouco tempo. Voando em velocidade supersônica, o consumo de combustível triplicava. Quando o nível de combustível se aproximou do mínimo para retornar à base, Marinho interrompeu a perseguição, tendo acompanhado o objeto até pouco mais de 30 mil pés de altitude. Retornou então a Santa Cruz, encerrando sua participação naquela noite histórica como piloto do Jambock 17.

Documentação Oficial e Testemunhas

A repercussão do evento foi imediata e significativa. A notícia se espalhou rapidamente, levando a FAB a convocar uma coletiva de imprensa dias depois. O engenheiro aeronáutico Ozires Silva, que retornava de reunião com o presidente José Sarney em Brasília, também presenciou o fenômeno enquanto pilotava seu Xingu da Embraer. Silva descreveu ter visto “um corpo bastante mais alongado, talvez da cor de uma lâmpada fluorescente” e afirmou sinceramente não saber identificar o que observava.

O fato de ter sido testemunhado diretamente por pilotos militares e controladores de tráfego aéreo agregou o adjetivo “oficial” ao caso. Muitos anos depois, a FAB disponibilizou todos os documentos relacionados aos avistamentos no Arquivo Nacional. Estes registros incluem relatórios detalhados e áudios com diálogos entre controladores e pilotos durante os eventos.

Os Registros e a Interpretação do Comandante

Kleber Marinho deixou a FAB ainda na década de 1980 e construiu uma bem-sucedida carreira na aviação comercial como piloto. Aposentado desde o ano passado, o comandante permanece convicto sobre aquilo que vivenciou: “Aquilo que vi não tem explicação. Apresentava movimento regular, possuía luz própria e se deslocava de forma consistente. Isso me leva a acreditar que havia algo inteligente operando aquele objeto”.

O ex-piloto reconhece que o céu atual está muito mais povoado por satélites e fenômenos que podem ser confundidos com objetos incomuns. Menciona ainda a possibilidade de interpretações equivocadas de satélites, estrelas cadentes e fenômenos atmosféricos. Contudo, o que testemunhou naquela noite em 1986 permanece, para ele, sem qualquer explicação plausível disponível.

O Legado de Meio Século

Hoje, 40 anos depois, a “Noite Oficial dos Óvnis” continua reverberando na história brasileira como um dos casos mais bem documentados de avistamento de óvnis. A FAB mantém registros de avistamentos desde a década de 1950, totalizando 662 casos documentados. Curiosamente, houve picos de relatos entre 1977 e 1978, coincidindo com o lançamento da saga “Guerra nas Estrelas” nos cinemas, sugerindo possível influência cultural nos avistamentos reportados.

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