Acordo judicial viabiliza compra de 77 ônibus novos para o Rio de Janeiro
A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou no dia 23 a chegada de 77 ônibus novos zero quilômetro para a cidade, adquiridos através de um acordo judicial celebrado em abril de 2025 com as empresas de transporte coletivo. Os veículos apresentam a nova padronização visual com pintura amarela predominante, marcando o início de uma transformação no sistema de transportes carioca. Cerca de R$ 70 milhões foram investidos nesta aquisição, recurso proveniente de glosas suspensas no pagamento de subsídios municipais.
Paradoxo: ônibus para empresas lacradas pelo município
Um aspecto polêmico da distribuição dos novos coletivos é que oito veículos chegaram à capital com numeração das empresas Real Auto Ônibus e Transportes Vila Isabel, ambas lacradas pelo município em janeiro de 2025. A Real recebeu sete ônibus com prefixo C41, enquanto a Vila Isabel ganhou um coletivo com prefixo A27. Essa situação gerou questionamentos sobre a destinação dos veículos, já que essas operadoras não possuem autorização para operar linhas na cidade desde o fechamento.
A Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) informou que esses ônibus serão direcionados a outras empresas da cidade. Porém, essa realocação representa um desafio logístico e administrativo para o município, que precisa gerenciar a documentação e registro desses veículos em nome de novas operadoras.
Fundamentos legais do acordo judicial de 2025
O acordo homologado pelo Juízo da 8ª Vara de Fazenda Pública estabeleceu condições específicas para a compra dos ônibus novos. O documento previu a suspensão de subsídios para viagens em veículos sem ar-condicionado ou com equipamento inoperante. Os valores retidos seriam empregados na aquisição de coletivos climatizados, mediante apresentação de notas fiscais pelas operadoras.
Uma cláusula relevante determina que esses 77 ônibus serão considerados como frota própria dos concessionários durante o período de concessão, mas deverão ser entregues à prefeitura ao final de 2028, quando o contrato é finalizado. Essa estrutura garante que o patrimônio público será ampliado sem gasto orçamentário direto.
Distribuição dos veículos entre operadoras ativas
Além das empresas fechadas, outras 12 viações receberam os novos ônibus. A Transportes Barra conquistou a maior parcela, com 16 veículos. Viação Redentor e Transportes Futuro ficaram com 11 cada. Transportes Paranapuan recebeu 9 unidades, enquanto Transportes Campo Grande e Viação VG obtiveram 4 cada. Viação Nossa Senhora de Lourdes, Auto Viação Três Amigos e Auto Viação Palmares receberam 3 veículos cada. Viação Pavunense e Auto Viação Tijuca ganharam 2 unidades, e a Gire recebeu 1 coletivo novo.
Novo sistema de cores por região carioca
Os ônibus adquiridos adotam pintura padronizada com amarelo como cor predominante e faixas coloridas que variam conforme a região de circulação. Esse sistema de identificação visual facilita o reconhecimento pelas linhas atendidas e melhora a experiência dos passageiros.
A codificação por cores inclui marrom para Bangu e Realengo, laranja para Campo Grande e Guaratiba, roxo para Santa Cruz, azul claro para Barra da Tijuca, rosa para Jacarepaguá, verde para Anchieta e Grande Madureira, e azul escuro para Pavuna e subúrbios da Leopoldina. Vermelho caracteriza a Ilha do Governador, cinza é usado na Grande Tijuca, Centro e Zona Sul.
Impactos operacionais nas linhas de transporte
A retirada das operações de Real e Vila Isabel necessitou da criação de cinco novas linhas municipais. As linhas 111, 160, 162, 319 e 475 foram implementadas para cobrir as lacunas deixadas pelas empresas fechadas. Além disso, itinerários de outras duas linhas foram ajustados para manter a cobertura territorial.
Essa situação desencadeou efeitos em cadeia no sistema de transporte. A empresa Braso Lisboa, impactada pelos ajustes operacionais, solicitou sua saída da operação da linha intermunicipal 740D. O Departamento de Transportes Rodoviários do Estado está analisando soluções para manter o serviço aos usuários sem prejudicar outras operadoras.
