Agência Nacional de Aviação Civil Discute Medidas de Segurança Aérea
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) iniciou discussões no começo de junho sobre a implementação de rotas de voo por instrumentos (IFR) na região do Rio de Janeiro, após a trágica colisão entre dois helicópteros no Recreio que resultou na morte de seis pessoas, incluindo o cantor americano Oliver Tree. O acidente ocorreu em 14 de junho e foi testemunhado por pessoas que presenciaram o impacto no ar, gerando repercussão internacional nos principais veículos de comunicação.
O Que É Voo por Instrumentos (IFR)?
O voo por instrumento é a técnica de pilotar uma aeronave utilizando exclusivamente os instrumentos de bordo e as orientações do controle de tráfego aéreo, sem necessidade de referências visuais externas. Atualmente, o tráfego de helicópteros no Rio ocorre em corredores pré-definidos, com a responsabilidade de manter a distância entre as aeronaves sendo dos pilotos, realizada de forma visual.
Todos os pilotos devem estar sintonizados na mesma frequência de rádio, comunicando o prefixo da aeronave, direção, altitude e qualquer manobra que mude seu rumo. Com o crescimento da frota de helicópteros, especialistas em segurança aérea defendem maior rigor na fiscalização da conduta dos pilotos e mudanças nas regras para tornar o espaço aéreo fluminense mais seguro.
Encontro Técnico Mobiliza Segmento de Aviação
O 1º Encontro Técnico do Grupo Brasileiro de Segurança Operacional de Helicópteros (BHEST) reuniu representantes de diferentes segmentos da aviação civil, incluindo operadores de táxi aéreo, empresas de transporte offshore, Petrobras, operadores aeroportuários, órgãos de segurança pública, Corpo de Bombeiros, empresas de consultoria e Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).
A programação foi dedicada à discussão de aspectos técnicos relacionados à implantação de rotas IFR para helicópteros, abordando questões operacionais, requisitos de segurança operacional e características das operações na região do Rio. Também foram discutidas a disponibilidade de fontes confiáveis de informação altimétrica e dados meteorológicos necessários às operações por instrumentos.
Crescimento Acelerado da Frota Carioca
De acordo com a Anac, o Estado do Rio possui 319 helicópteros registrados, um aumento de 29% em três anos, quando havia apenas 247 em 2023. São Paulo, em comparação, tem mais de 400 helicópteros, mas o maior número de pousos e decolagens ocorre no Aeroporto de Jacarepaguá, que registrou 7.903 operações em maio, enquanto o Campo de Marte em São Paulo apresentou apenas 2.642.
Incidentes Alarmantes no Espaço Aéreo Carioca
O aumento do tráfego de helicópteros no Rio resultou em números preocupantes de incidentes. No ano passado, foram registrados 142 incidentes com helicópteros no Estado do Rio, uma média de um caso a cada três dias, enquanto São Paulo contabilizou apenas 11 ocorrências em todo o ano. Os registros no Rio representam 71% dos incidentes envolvendo helicópteros no país em 2025.
Os incidentes incluem falhas ou mau funcionamento de sistemas, incursão em pista, colisão com aves e quedas. Neste ano, foram registrados 61 incidentes no Rio contra apenas seis em São Paulo, segundo dados do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer).
Mobilização Comunitária e Pressão por Mudanças
Os transtornos causados pelo ruído de aeronaves no Aeroporto de Jacarepaguá e helipontos da região motivaram cinco reuniões de moradores com representantes do Decea e Anac. Segundo a agência, foram discutidos métodos para reforçar o cumprimento da altitude mínima de voo prevista para a Avenida das Américas.
O Aeroporto de Jacarepaguá está desenvolvendo um sistema de monitoramento para identificar quando a altura regulamentada não é respeitada, informando as ocorrências à Petrobras, que pode aplicar penalidades às aeronaves que prestam serviço às suas plataformas. Delair Dumbrosck, presidente da Câmara Comunitária da Barra da Tijuca, afirmou que as reuniões têm se mostrado infrutíferas, reclamando que o Decea promete providências e multas que não se concretizam.
O Acidente de 14 de Junho
A colisão entre dois helicópteros ocorreu no Recreio, no quarteirão da Avenida das Américas entre as ruas Beth Lago e Rivadávia Campos. Um Bell 206B Jet Ranger transportava cinco pessoas: o piloto Alexandre Souza, o youtuber argentino Gaspar Prim Díaz, o produtor musical Lucas Frota, o diretor de videoclipes Lucas Vignale e o cantor Oliver Tree. O segundo helicóptero, um Eurocopter AS350 B2, era pilotado por Charles Marsillac.
A primeira aeronave havia decolado do Aeroporto de Jacarepaguá às 8h51 com destino ao Heliponto Piratas Mall em Angra dos Reis. A segunda vinha do Aeroporto Santos Dumont e seguia para Guaratiba. Pouco antes das 9h, as aeronaves colidiram no ar. O helicóptero com cinco pessoas atingiu um estacionamento de uma concessionária BYD, provocando incêndio que destruiu treze carros. A violência do choque espalhou destroços que atingiram prédios residenciais vizinhos.
