Home Justiça em FocoPF investiga se PM foi cedido ao Detran-RJ exclusivamente para escoltar Márcio Canella

PF investiga se PM foi cedido ao Detran-RJ exclusivamente para escoltar Márcio Canella

by Guilherme Salles

Investigação sobre cessão de policial militar ao Detran-RJ

A Polícia Federal apura circunstâncias suspeitas envolvendo a cessão de um policial militar ao Departamento Estadual de Trânsito do Rio de Janeiro. A investigação busca determinar se o sargento Alexandre Paixão da Silva Júnior foi transferido para o órgão especificamente para integrar a escolta de Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil.

O fuzil calibre 5,56 encontrado na mala do automóvel de Canella pertencia à Polícia Militar do Rio de Janeiro e estava sob a responsabilidade do sargento. Segundo informações da corporação, o agente estava cedido ao Detran-RJ desde outubro de 2025. A Polícia Federal considera o departamento um possível feudo político do investigado, o que reforça as suspeitas sobre a verdadeira função do policial no órgão.

Operação Unha e Carne: contexto da prisão

Márcio Canella foi preso na terça-feira durante cumprimento de mandado de busca e apreensão da sexta fase da Operação Unha e Carne. Os agentes federais encontraram o fuzil na mala do veículo utilizado pelo ex-prefeito, resultando em sua autuação em flagrante por porte de arma de calibre restrito. A operação visava desarticular uma quadrilha suspeita de utilizar postos de combustíveis para lavagem de dinheiro.

Em audiência de custódia realizada pelo Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira, a prisão de Canella foi mantida. Posteriormente, o ex-prefeito foi transferido do Presídio José Frederico Marques, em Benfica, para o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, localizado no Complexo de Gericinó na Zona Oeste do Rio.

Antecedentes: Detran-RJ sob escrutínio

A investigação também abrange o delegado Marcus Amin, que esteve lotado no Detran-RJ em julho de 2023. Amin foi presidente do departamento entre junho e outubro de 2023, deixando o cargo para assumir a Secretaria de Estado de Polícia Civil, onde permaneceu até setembro de 2024, quando foi exonerado pelo então governador Cláudio Castro. Marcus Amin foi alvo de mandado de busca e apreensão cumprido durante a operação.

Apreensões e desdobramentos da operação

A operação teve origem em Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que apontou movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos pela rede de postos. Foram cumpridos mandados em 19 endereços em Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende.

As apreensões incluem 11 carros de luxo, entre eles uma Mercedes-Benz avaliada em R$ 1,5 milhão, aproximadamente R$ 800 mil em espécie encontrados em empresa em Niterói, além de armas, munições e relógios de luxo encontrados na residência de Canella. Um policial militar também foi preso por porte de arma durante a operação.

Consequências administrativas

A Polícia Militar informou que sua Corregedoria instaurou procedimento para apurar a conduta do sargento responsável pela guarda do fuzil. No Diário Oficial Estadual de quinta-feira, foi publicada a exoneração do sargento Alexandre Paixão da Silva Júnior do cargo em comissão de ajudante I da Coordenadoria de Segurança da Corregedoria do Detran-RJ, sendo devolvido aos quadros da Polícia Militar.

O Detran-RJ informou que já havia aberto processo administrativo solicitando a devolução do servidor à Polícia Militar desde 25 de junho de 2026. O departamento instaurou sindicância administrativa para apurar as circunstâncias do caso, reforçando o escrutínio sobre as atividades do órgão durante o período investigado.

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