Presidente do Vasco quebra silêncio após afastamento judicial
Pedrinho, presidente do Vasco da Gama, concedeu sua primeira entrevista após decisão judicial que o afastou do conselho de administração da SAF do clube, junto com outros dois dirigentes. Em declarações ao canal “Atenção, Vascaíno”, o mandatário manteve-se à frente do comando do clube associativo e atribuiu o movimento jurídico a conflitos políticos internos, reafirmando que o investidor Marcos Lamacchia segue interessado na aquisição da Sociedade Anônima do Futebol.
Crise política e deslealdade institucional
Pedrinho denunciou a existência de uma briga política interna no Vasco, classificando a situação como prejudicial à instituição. O dirigente criticou duramente o timing da ação judicial, destacando que ocorre em um momento delicado para o clube, especialmente durante ano de eleição e quando a equipe enfrenta dificuldades técnicas.
“Todos sabem que existe uma briga política interna, que na minha concepção não deveria prevalecer se causa dano à instituição. E essa briga está tomando um caminho muito ruim”, afirmou Pedrinho. O presidente denunciou ainda que as alegações contra sua gestão são “falácias e narrativas”, considerando o movimento como deslealdade à instituição.
Posteriormente, Pedrinho identificou Felipe Carregal, ex-vice-presidente jurídico, e Silvio Almeida, ex-vice-presidente de finanças, como integrantes da oposição à sua gestão. Ambos foram exonerados ontem pelo clube, junto com outros dois dirigentes.
Intervenção judicial e futuro da SAF
A decisão judicial originou-se de ação impetrada pela 777 Partners, sócia afastada do comando desde maio de 2024. A ação resultou na nomeação da advogada Samantha Longo, especialista em disputas empresariais, como interventora judicial da SAF do Vasco. A partir de agora, todas as decisões envolvendo a empresa passam por ela, incluindo qualquer eventual revenda do futebol.
A estrutura de acionariado da SAF agora é controlada por três esferas: o clube associativo detém 30%, a 777 Partners possui 31%, enquanto os demais 39% das ações estão em disputa no tribunal arbitral entre os dois primeiros acionistas.
Continuidade administrativa e busca por treinador
Pedrinho afirmou que, antes da decisão judicial, o clube estava em busca de um novo treinador após a demissão de Renato Gaúcho. Com as mudanças decorrentes da intervenção judicial, o presidente solicitou que os demais integrantes da SAF mantivessem as diretrizes que preconizava anteriormente.
“O que eu falei para o grupo que ficou lá é para dar continuidade com o representante e com quem pode assinar, obviamente, seguindo todos os critérios que eu sempre preguei ali”, explicou Pedrinho, ressaltando a importância de respeitar a capacidade financeira e honrar os compromissos assumidos.
Negociação com Marcos Lamacchia e possível investimento
O presidente levantou a voz ao negar qualquer irregularidade na gestão da SAF, mencionando que sua conta bancária está à disposição da Justiça no contexto do processo de recuperação judicial e que seus bens estão em jogo nesse processo.
Sobre as negociações com Marcos Lamacchia, Pedrinho confirmou que as conversas iniciaram há tempo considerável, e o processo poderia ter sido formalizado em janeiro. O empresário do mercado financeiro foi descrito como o único investidor a enviar proposta oficial pela SAF.
“Nenhum investidor chegou com proposta oficial a não ser o Lamacchia. Uns usaram muito mais o Vasco para se promover, a pessoa física, do que tinham interesse”, declarou o presidente, mencionando que foram assinados acordos de confidencialidade (NDAs) com outros interessados, mas nenhum retornou com propostas concretas.
Pedrinho afirmou estar em contato constante com Marcos Lamacchia e que o empresário mantém vivo seu interesse na aquisição da SAF. Segundo o mandatário, o investimento pode alcançar R$ 2 bilhões, contemplando aportes para contratações, pagamento de dívidas, fluxos de caixa operacionais e investimento no CT Moacyr Barbosa.
Confiança na continuidade do negócio
Pedrinho defendeu sua gestão afirmando que os problemas causados intencionalmente buscam afastar o investidor e prejudicar o clube desportivamente. O presidente expressou confiança de que Lamacchia possui conhecimento suficiente sobre sua pessoa e gestão para não desistir do negócio apesar do tumulto institucional.
“Se o investidor não conhecesse exatamente quem eu sou, poderia desistir do negócio com todo esse tumulto. Eu sei todos os caminhos que essas pessoas vão seguir para deixar o investidor com dúvidas. Estão enganados. Cada vez mais que fazem isso, o investidor fica mais à vontade e seguro para fazer o negócio”, finalizou Pedrinho, demonstrando otimismo sobre a conclusão da negociação.
