A evolução tática de Messi na Copa de 2026
Com 39 anos completados, Lionel Messi demonstra uma compreensão refinada do seu próprio desempenho no futebol mundial. Prestes a fazer 39 anos, o craque argentino não apenas mantém seu alto nível competitivo, como se reinventa constantemente para permanecer decisivo nos grandes torneios. O técnico Lionel Scaloni resumiu perfeitamente essa longevidade: “há 20 anos joga bem toda santa partida”, afirmação que ganhou força especial após a performance de Messi na estreia da Argentina contra a Argélia na Copa de 2026.
Na partida inaugural, Messi marcou três gols, números que reforçam sua posição como figura central do ataque argentino. Com essa atuação, ele se aproxima perigosamente do recorde histórico de gols em Copas do Mundo, necessitando de apenas um gol para superar os 16 do alemão Klose. O confronto contra a Áustria, marcado para às 14h no horário de Brasília, pode ser o palco dessa histórica marca.
Mudanças sutis no estilo de jogo
Os ajustes realizados por Messi para esta edição da Copa revelam sabedoria acumulada ao longo de décadas de carreira. Aos 38 anos, o argentino desenvolveu uma estratégia de esperar mais pela bola, garantindo que esteja inteiro e concentrado sempre que a recebe. Essa abordagem contrasta com suas performances anteriores, quando sua presença ativa em campo era praticamente constante.
As estatísticas de movimentação ilustram essa mudança. Na estreia contra a Argélia, Messi realizou 60 corridas de alta velocidade (entre 15km/h e 20km/h), número inferior aos 72 piques registrados contra a Arábia Saudita na estreia de 2022. De forma ainda mais significativa, suas corridas em velocidade máxima caíram de 40 para 29 no mesmo período comparativo.
Desempenho ofensivo mantido em alto nível
Apesar da redução em deslocamentos, Messi continua sendo responsável pela maior parte das ações ofensivas da Argentina. Na partida contra a Argélia, ele foi responsável por quatro das seis finalizações corretas da seleção, demonstrando que sua eficácia não diminuiu proporcionalmente à sua movimentação. Essa eficiência refinada é resultado de anos de experiência e compreensão profunda do jogo.
Substituição estratégica: uma novidade relevante
Um fato inédito na história recente de Messi ocorreu quando Scaloni o substituiu após marcar o terceiro gol contra a Argélia. Essa decisão marca uma mudança significativa: em toda sua carreira em Copas do Mundo, Messi foi substituído apenas duas vezes anteriormente, contra a Nigéria em 2014 e contra a Holanda em 2006. Na Copa de 2022, ele permaneceu em campo do início ao fim, inclusive em prorrogações desgastantes.
Scaloni justificou essa mudança citando o conforto renovado de Messi na seleção: “Ele encontrou uma melhor naturalidade na seleção, sabendo que tem ao lado um grupo de amigos, pessoas que o veem como se fosse um Deus, mas também como um garoto do bairro”.
Transição para o Inter Miami e manejo de lesões
A mudança do Paris Saint-Germain para o Inter Miami após a Copa de 2022 permitiu que Messi dosasse melhor seus esforços. A liga americana exige menos fisicamente que o futebol europeu de elite, oferecendo oportunidade de recuperação mais adequada. Essa decisão mostrou-se sábia considerando que Messi enfrentou 13 lesões no ciclo pré-Copa de 2026, perdendo 35 jogos por clube e seleção nos últimos quatro anos.
Apesar desses desafios físicos, Messi apresentou em 2025 números comparáveis ao período pré-Copa de 2022. Com o Inter Miami avançando às semifinais da Liga dos Campeões da Concacaf e às oitavas do Mundial de Clubes, acumulou 54 partidas e 46 gols somando suas participações com a seleção argentina. Esses são seus melhores números desde 2019, quando vestia a camisa do Barcelona.
Perspectivas para o futuro na Copa
A combinação de ajustes táticos, manejo inteligente de esforço físico e apoio de um grupo coeso permite que Messi continue sendo determinante para a Argentina. Uma vitória contra a Áustria garantiria a segunda fase com uma rodada de antecedência, consolidando o caminho da seleção no torneio. Para Scaloni, a continuidade de Messi em seu auge é motivo de celebração: “Até que ele queira, será o melhor. Há 20 anos ele faz isso em todo santo jogo, e é emocionante vê-lo, de verdade”.
