Defesa de Investigação Abrangente
O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), manifestou-se publicamente nesta sexta-feira (19) em defesa de uma investigação abrangente da Polícia Federal sobre o escândalo envolvendo o Banco Master. A declaração foi feita após operação da PF que cumpriu mandados de busca e apreensão contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula (PT) no Senado.
Em entrevista à BandNews TV, Haddad ressaltou a posição do presidente Lula em relação ao caso. Segundo o ex-ministro, desde o início da investigação, o presidente tem buscado transparência total, envolvendo o Ministério Público, ministros do Supremo e o Ministério da Fazenda. “Quero tudo à limpo, doa a quem doer”, foi a orientação do presidente, conforme citado por Haddad.
O político petista enfatizou que, dado o volume da fraude descoberta, muitas pessoas podem estar envolvidas. Portanto, a PF, atuando com total autonomia, possui a responsabilidade de investigar qualquer dúvida relacionada à conduta de qualquer indivíduo, independentemente de sua posição ou filiação política.
Posicionamento sobre o Senador Wagner
Haddad reconheceu e valorizou o fato de que o senador Jaques Wagner concedeu uma entrevista no mesmo dia da operação da PF. Para o ex-ministro, essa atitude foi correta e transparente. Ele argumentou que, se Wagner está seguro de seus atos, é apropriado que ele se exponha publicamente para explicar sua posição e se colocar à disposição das autoridades competentes.
Conexões com o Governo Anterior
Em sua análise, Haddad estabeleceu conexões entre os escândalos do Banco Master e a administração Bolsonaro. O ex-ministro atribuiu responsabilidade ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Ciro Nogueira (PP-PI), além de criticar duramente a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central durante o governo anterior.
Segundo Haddad, Campos Neto autorizou o funcionamento do Banco Master durante toda a gestão Bolsonaro, período em que, de acordo com suas palavras, “o banco fez e desfez”. Haddad descreveu a fraude como a maior da história financeira do país, com origens claras no governo anterior.
O ex-ministro aproveitou para contrastar a gestão Lula com a anterior. Ele destacou que, diferentemente de Bolsonaro, o presidente Lula não realizou trocas estratégicas na cúpula da Polícia Federal para proteger interesses pessoais ou familiares. “Não trocou superintendente da PF, não trocou delegado-geral da PF, não trocou ministro da Justiça para proteger o filho como fez o Bolsonaro”, afirmou.
Detalhes da Operação contra Wagner
A operação Compliance Zero, em sua nona fase, atingiu o senador baiano Jaques Wagner na quinta-feira (18). As investigações apontam que Wagner teria recebido benefícios significativos, incluindo um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões em Salvador, além de privilégios como acesso a aeronaves particulares e ingressos para camarotes em eventos internacionais, com custos chegando a R$ 63,3 mil.
A conexão entre Wagner e o Banco Master ocorria através do ex-sócio da instituição, o empresário baiano Augusto Lima, que também se tornou alvo das investigações. Lima mantém boas relações com políticos petistas na Bahia. Além dos benefícios pessoais, uma empresa do núcleo familiar do senador recebeu transferência de R$ 3 milhões de uma financeira vinculada a Lima.
Durante a operação, a PF apreendeu US$ 49 mil (aproximadamente R$ 253 mil) em espécie em um quarto do hotel Brasília Palace, onde Wagner costuma se hospedar quando está em Brasília. Adicionalmente, foram apreendidos 33,5 mil euros e US$ 6,175 mil em seu endereço em Salvador.
Resposta de Wagner às Acusações
Em sua defesa, o senador Jaques Wagner argumentou que o dinheiro encontrado em seus endereços possui origem legal. Segundo ele, os valores correspondem a diárias recebidas de forma legal para viagens oficiais, que não foram utilizadas e foram devidamente declaradas.
A assessoria de Wagner divulgou nota informando que “o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais”. O senador reiterou sua disposição em cooperar com as autoridades, expressando confiança de que “a verdade prevalecerá” no decorrer das investigações.
