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Messi e o Tratamento Hormonal: Como o Argentino Superou a Deficiência de GH para Virar Lenda

by Guilherme Salles

A História de Superação de Lionel Messi

Lionel Messi, aos 38 anos, consolidou-se como o maior artilheiro da história da Copa do Mundo na estreia da Argentina no torneio. Reconhecido mundialmente por seu talento incomparável, poucos sabem que a carreira do craque argentino poderia ter sido completamente diferente. Aos 9 anos, Messi foi diagnosticado com deficiência do hormônio do crescimento, uma condição que o levou a buscar tratamento médico especializado para viabilizar seu sonho de se tornar jogador de futebol profissional.

A preocupação inicial de Messi era legítima: sem intervenção adequada, sua baixa estatura representaria um impedimento significativo para uma carreira no futebol. No entanto, graças a um longo e disciplinado tratamento hormonal durante a juventude, conseguiu superar essa limitação biológica e se transformar em um dos maiores atletas de todos os tempos.

Compreendendo a Deficiência do Hormônio do Crescimento

O hormônio do crescimento, popularmente conhecido como GH, é uma substância fundamental produzida pela hipófise, uma pequena glândula localizada na base do cérebro. Quando essa produção é deficiente, podem ocorrer sérias consequências no desenvolvimento infantil e adolescente.

Origem e Sintomas da Deficiência

A deficiência na produção de GH pode ter origem genética, quando a criança nasce sem conseguir fabricar a substância em quantidade suficiente. Alternativamente, pode ser causada pelo desenvolvimento de tumores na cabeça que comprometem a funcionalidade da hipófise. O sintoma inicial mais aparente é a baixa estatura, pois durante a infância e adolescência, a principal função do hormônio é promover o crescimento do corpo.

Para determinar se uma criança está abaixo do esperado para sua idade e sexo, pediatras utilizam tabelas de curvas de crescimento que estabelecem os parâmetros ideais de desenvolvimento. Quando há suspeita de deficiência, inicia-se o processo diagnóstico.

Consequências Além da Altura

Segundo Margaret Boguszewsk, endocrinologista pediátrica e professora titular do Departamento de Pediatria da Universidade Federal do Paraná (UFPR), sem o tratamento adequado, Messi talvez não tivesse ultrapassado 1,50 metros. Porém, os efeitos da deficiência hormonal vão muito além da estatura.

A deficiência de hormônio do crescimento afeta a formação de músculos e a queima de gordura, aumentando significativamente o risco de desenvolvimento de obesidade. Adicionalmente, compromete a massa óssea, elevando exponencialmente o risco de fraturas. Segundo a especialista, sem o tratamento adequado, seria praticamente impossível para uma pessoa com deficiência de GH se tornar um atleta profissional em qualquer modalidade esportiva.

Diagnóstico e Procedimentos Médicos

Exames Iniciais

O diagnóstico de deficiência de hormônio do crescimento segue um protocolo específico. Inicialmente, a criança realiza o teste de IGF-1, que funciona como uma triagem ao medir o nível de uma proteína produzida no fígado em resposta ao hormônio de crescimento. Quando a taxa está baixa, realiza-se o exame específico para o GH.

Coleta Especializada

Como o hormônio do crescimento é produzido principalmente à noite durante o sono profundo, o paciente precisa ficar em média duas horas no laboratório para coleta adequada. Conforme explicado pela endocrinologista, a criança recebe medicações para relaxar, um acesso é aberto na veia e o sangue é coletado de meia em meia hora. Caso o hormônio não seja detectado, a contraprova é necessária.

Confirmação Diagnóstica

Quando os exames não detectam GH, realiza-se uma ressonância magnética de crânio para observar possíveis alterações na estrutura da hipófise, fechando assim o diagnóstico de deficiência do hormônio do crescimento.

Tratamento com Hormônio do Crescimento

Protocolo de Administração

O tratamento com GH é realizado através de injeções diárias subcutâneas, aplicadas ao deitar em regiões como coxas, braços, nádegas ou abdômen. Relatos indicam que Messi precisou de mais de 2 mil aplicações durante seu período de tratamento, culminando na altura atual de 1,69 metros.

Custos e Acesso

O hormônio do crescimento é considerado de fácil acesso, embora tenha custo elevado. A dose é calculada individualmente pelo peso corporal. Para uma criança de 30 quilogramas, o investimento mensal varia entre R$ 1.600 a R$ 2.000 reais, dependendo da marca utilizada.

No Brasil, pessoas diagnosticadas com deficiência de GH podem acessar o tratamento de forma completamente gratuita através do Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo igualdade de acesso independentemente da situação econômica do paciente.

Duração e Finalização do Tratamento

As aplicações devem ser mantidas até que o paciente atinja seu potencial máximo de crescimento, determinado através de radiografia de mão e punho. Este exame revela se ainda há cartilagem de crescimento presente. Quando as cartilagens se calcificam, o hormônio não consegue mais exercer sua função de crescimento, obrigando a interrupção do tratamento, independentemente da satisfação do paciente com sua altura final.

O Legado de Messi

A história de Lionel Messi representa uma vitória notável da medicina moderna sobre as limitações biológicas. Seu compromisso com o tratamento rigoroso desde os 9 anos de idade permitiu que superasse uma deficiência que poderia ter encerrado suas aspirações como jogador profissional. Hoje, aos 38 anos, Messi é reconhecido não apenas como um talentoso atleta, mas também como um exemplo inspirador de como a ciência médica e a disciplina pessoal podem transformar trajetórias de vida.

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