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Fernanda Vasconcellos abre o jogo sobre maternidade, medo de não voltar a atuar e desconexão do mundo

by Guilherme Salles

A jornada de Fernanda Vasconcellos entre a maternidade e a carreira artística

Aos 41 anos, Fernanda Vasconcellos vive um momento de redescoberta profissional após uma década afastada da dramaturgia. Mãe de Romeo, de 3 anos, fruto de seu casamento com o empresário e produtor Cássio Reis, a atriz paulista retorna às telas com um papel desafiador na novela “Três Graças”, que chega ao fim em 15 de maio. Seu personagem, Samira, uma chef de cozinha envolvida em tráfico de bebês, trouxe à tona reflexões profundas sobre maternidade, culpa e a complexidade de ser mãe e atriz simultaneamente.

O impacto emocional do papel de Samira em “Três Graças”

Não é incomum que Fernanda termine as gravações das cenas em lágrimas. A atriz explica que sua personagem, uma mulher que sente mas não demonstra emoções, a atravessou profundamente. “A Samira sente, mas não demonstra, e isso também acontece comigo. Ao sair de cena, choro, às vezes preciso ficar sozinha, o dia se torna meio esquisito”, revelou durante entrevista. O enredo envolvendo tráfico de bebês, tema atual e delicado na televisão aberta, resoava especialmente em seu coração de mãe.

Para Fernanda, compreender a profundidade do personagem foi fundamental para executar o trabalho com maestria. Ela destaca que qualquer pessoa pode ser perversa ou compassiva, dependendo das circunstâncias. Ter um filho pequeno intensificava essa reflexão, mas ela reconhecia a importância do alerta trazido pela narrativa para o público.

Equilibrando a vida profissional e a maternidade

Vivendo em São Paulo e gravando no Rio de Janeiro, Fernanda estruturou sua rotina para minimizar o impacto sobre Romeo. Ela passa de três a quatro dias por semana na capital fluminense, mantendo horários fixos para alimentação, sono e higiene pessoal. Com apoio total de Cássio, todas as tarefas parentais são compartilhadas igualmente. Apesar dessa organização, o momento de despedida ainda é doloroso.

“Não é uma tarefa fácil, mas sinto que ele está ficando mais independente. Explico que é meu trabalho contar histórias, Romeo já assistiu a algumas cenas de outras novelas. Agora estou mais forte para ir e vir”, confessa a atriz, que se descreve como mãe superprotetora. Sua preocupação se estende a cada detalhe: desde a alimentação até à segurança do filho, garantindo que nada prejudique seu desenvolvimento.

O relacionamento como pilar de sustentação

Juntos há 14 anos, Fernanda e Cássio se conheceram através de amigos em comum. A atriz valoriza imensamente o companheirismo do marido, enfatizando que compartilham uma conexão genuína e livre de mediação midiática. “Somos os melhores companheiros de viagem um do outro. Temos uma conexão verdadeira e zero midiática, as coisas funcionam de verdade”, afirma com convicção.

Cássio, por sua vez, reconhece a excelência de Fernanda como mãe e como profissional. Para ele, ela é uma mãe “fora da curva”, demonstrando uma entrega total à criação de Romeo enquanto mantém sua carreira em alta. “É muito bonito ver a entrega dela, sua maturidade como atriz, tenho o maior orgulho. A gente bate uma bola boa na criação do Romeo, fazemos tudo por ele. Ela é uma mãe foda!”, elogia o empresário.

O medo de não voltar a trabalhar e a redescoberta profissional

Retornar ao trabalho após a maternidade revelou para Fernanda a importância de estabelecer limites. No entanto, durante o primeiro ano de vida de Romeo, ela vivenciou um período de isolamento profundo, cogitando que nunca mais receberia convites para atuar. “Fiquei reclusa, o primeiro ano do bebê é superimportante. Hoje vejo que foi só uma fase. Mas tão profunda… E você se sente desconectada do mundo”, relembra com sinceridade.

Essa desconexão foi gradualmente superada. Seu primeiro trabalho pós-nascimento foi o espetáculo “Sra Klein”, em 2024, ao lado de Ana Beatriz Nogueira, com quem já havia contracenado em “A vida da gente” (2011). Os encontros foram transformadores, com a atriz descrevendo a experiência como “estar em céu de brigadeiro”, fluindo com naturalidade e harmonia.

Terapia e autoconhecimento como ferramentas de evolução

Fernanda decidiu iniciar terapia após participar da novela “A vida da gente”, cujas cenas de tensão entre personagens a marcaram profundamente. Porém, o processo se solidificou realmente após sua participação na série “Coisa mais linda” (2019), da Netflix, e no filme “A cisterna” (2021), onde interpretava uma jornalista sequestrada que passava longos períodos confinada.

“No longa, interpretava uma jornalista sequestrada, e passava muito tempo dentro de um buraco. Minha cabeça deu um nó. Logo depois das filmagens, veio a pandemia”, descreve. A análise tornou-se essencial para sua existência mais livre e consciente, ajudando-a a conhecer seus limites e diferenciar emoções como tristeza e cansaço. Após o nascimento de Romeo, essa compreensão se aprofundou ainda mais.

Olhar para o futuro com esperança e realismo

Com mais de 20 anos de carreira, tendo iniciado seu destaque em “Malhação” (2005), Fernanda compreendeu que ser atriz é, fundamentalmente, a arte de saber esperar. Ela reconhece que a profissão é inconstante e que ninguém tem controle total sobre as oportunidades que surgem.

Após o término de “Três Graças”, Fernanda deseja elaborar um novo projeto teatral com Ana Beatriz Nogueira, consolidando uma parceria criativa que a inspira. “Nesse tempo de profissão, aprendi que ela é inconstante, não temos o controle de nada. Mas sei que ainda tenho um longo caminho pela frente”, finaliza com esperança renovada.

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