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Mendonça retira sigilo do caso Master e manda relatório da PF para o plenário do STF

Decisão desta terça tira das mãos de um único relator a análise das mensagens apreendidas com Daniel Vorcaro e transfere o julgamento para sessão pública da Corte.

by Guilherme Salles

Decisão desta terça tira das mãos de um único relator a análise das mensagens apreendidas com Daniel Vorcaro e transfere o julgamento para sessão pública da Corte.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirou nesta terça-feira (1º) o sigilo do relatório da Polícia Federal que reúne mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e determinou que o material seja examinado pelo plenário do tribunal. A decisão condiciona a discussão a uma sessão presencial e com acesso público, cuja data caberá ao presidente do STF, Edson Fachin, definir. No mesmo despacho, o ministro abriu prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre o conteúdo.

O que está no documento liberado

O relatório tem 218 páginas e é datado de 27 de agosto de 2026. Foi produzido pela Polícia Federal a partir da análise do aparelho apreendido de Vorcaro na Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias no Banco Master, e reúne mensagens, registros de chamadas, arquivos e contratos localizados no celular.

Mendonça havia encomendado o levantamento para identificar quem integraria o que a PF descreve como uma rede de monitoramento e influência montada pelo banqueiro. Segundo o despacho, os investigadores apresentaram indícios da existência dessa estrutura, mas os elementos ainda precisam ser examinados pelo colegiado. A investigação segue em fase de instrução.

Parte do material trata de trocas de mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes. Em uma delas, enviada antes da prisão de Vorcaro, o banqueiro pede que sejam acionados “Andrei e Paulo” para impedir uma medida contra ele. Para a PF, as referências são ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O fundamento da abertura

Mendonça baseou a retirada do sigilo no princípio constitucional da publicidade e no interesse público do caso. No texto, afirmou que caberá aos ministros analisar as informações “de modo técnico e estritamente jurídico” em sessão aberta.

A medida muda a lógica de condução do inquérito. Até aqui, decisões sensíveis do caso Master vinham sendo tomadas monocraticamente, primeiro por Dias Toffoli e depois por Mendonça, sorteado relator após Toffoli deixar o posto. Ao remeter os novos elementos ao plenário, o relator divide com os demais integrantes da Corte a responsabilidade sobre um material que envolve dois de seus próprios colegas de instituição — um ministro do STF e o chefe do Ministério Público Federal.

O que ainda não foi respondido

Nenhum dos citados havia se manifestado publicamente sobre o conteúdo até a tarde desta terça. Veículos que procuraram Moraes, Gonet e Andrei Rodrigues não obtiveram retorno. A defesa de Vorcaro também não comentou.

Nos trechos divulgados até agora não há registro de resposta atribuída a Moraes às mensagens em que o banqueiro pede intervenção. A própria PF registra que a mensagem central não trazia o nome do destinatário; os investigadores chegaram a Moraes por cruzamento de prints, horários e registros do aplicativo. Esse é um dos pontos que os ministros terão de confrontar quando o caso for pautado.

Em paralelo, Mendonça determinou que a Polícia Federal produza, em 72 horas, um levantamento com todas as menções a Moraes, Andrei Rodrigues e Gonet encontradas no material apreendido. O prazo da PGR corre desde esta terça.


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