Home EconomiaViagens corporativas: como a hospedagem se reinventa para atender profissionais em trânsito

Viagens corporativas: como a hospedagem se reinventa para atender profissionais em trânsito

by Guilherme Salles

Mercado de viagens corporativas aquece com faturamento recorde

O setor de viagens corporativas no Brasil vive um período de expansão notável. Entre janeiro e junho, o faturamento atingiu R$ 13,2 bilhões, representando um crescimento de 15% em comparação ao mesmo período do ano anterior, conforme dados da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp). Esse incremento reflete não apenas o aumento da demanda, mas também transformações profundas no comportamento das empresas e dos profissionais que se deslocam para trabalho.

Da ostentação à eficiência: mudança de paradigma

A escolha de hospedagem corporativa passou por uma revolução comportamental significativa. Ivete Gama, CEO e sócia-fundadora do Apê Smart Studios, analisa essa transformação: “Anteriormente, a decisão era baseada na categoria do hotel, na bandeira ou na aparência do lobby. Atualmente, as empresas estão fazendo perguntas muito mais práticas: o colaborador conseguirá trabalhar adequadamente? Haverá internet estável? Existirá espaço para concentração e uma cozinha para não depender constantemente de delivery?”

Essa mudança de perspectiva demonstra como a eficiência superou o status como critério principal de seleção. As organizações reconhecem que a qualidade da hospedagem impacta diretamente na produtividade e bem-estar de seus profissionais.

Ascensão dos studios e apartamentos compactos

Com essa reconfiguração de prioridades, cresce exponencialmente a demanda por opções que equilibrem conforto, praticidade e custo-benefício para estadias de duração média. O modelo de studios e apartamentos compactos tem conquistado espaço significativo em relação aos hotéis convencionais, exatamente porque responde às necessidades reais de profissionais que trabalham em movimento.

“Quando você permanece num hotel por três, quatro ou dez dias, a estrutura pensada para turistas começa a se mostrar inadequada. O studio compacto bem planejado inverte essa lógica: menos ornamentação, mais funcionalidade. E oferece uma vantagem competitiva clara em custo para estadias médias e longas, que é exatamente o perfil que expandiu com o modelo híbrido e equipes descentralizadas”, explica Gama.

Adaptação estruturada para o novo perfil corporativo

O Apê Smart Studios estruturou sua operação especificamente para atender esse novo tipo de cliente, com localização estratégica próxima a centros de negócios e acesso facilitado a transporte. Os studios contam com cozinha funcional, Wi-Fi de qualidade e espaço de trabalho integrado ao ambiente.

“Compreendemos que o conforto do colaborador é diretamente proporcional à sua entrega. Além disso, criamos uma operação que facilita a vida das empresas: reserva simplificada, flexibilidade de prazos e atendimento que compreende a dinâmica corporativa”, destaca a executiva.

Dados confirmam tendência de transformação

A percepção dessas mudanças foi confirmada por escuta ativa com hóspedes e gestores de RH, além do acompanhamento de indicadores setoriais. Pesquisas recentes reforçam essa tendência transformadora. Um levantamento da Skyscanner revelou que 61% dos viajantes escolhem o destino com base na acomodação disponível. Outro estudo aponta que 60% dos viajantes corporativos já estenderam estadias profissionais para experiências pessoais, fenômeno conhecido como bleisure.

“Observamos que o volume de viagens corporativas crescia, mas a satisfação com as opções disponíveis não acompanhava esse crescimento. Havia uma lacuna entre o que o mercado oferecia e o que os profissionais realmente precisavam. Nossa adaptação foi reforçar justamente os diferenciais valorizados: agilidade, praticidade e autonomia”, analisa Gama.

Hospedagem como fator de produtividade e bem-estar

A relação entre hospedagem, bem-estar e desempenho profissional ganhou relevância estratégica. “A estadia não é um custo isolado; faz parte da equação de performance. Uma empresa que investe adequadamente em hospedagem está investindo em qualidade de sono, alimentação mais saudável, redução de estresse logístico e, consequentemente, melhores resultados”, observa a executiva.

Com a continuidade do aquecimento do setor, a tendência é que o mercado prossiga se adaptando aos novos comportamentos. “O colaborador que chega ao cliente descansado, que dormiu bem, que não passou a noite num quarto apertado ouvindo barulhos de corredor, entrega uma reunião diferente. Isso tem valor mensurável, e as empresas mais avançadas na gestão de pessoas já estão enxergando isso”, conclui.

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