Home BrasilPai despedaça-se no sepultamento de filhas mortas em desabamento na Ilha do Governador

Pai despedaça-se no sepultamento de filhas mortas em desabamento na Ilha do Governador

by Guilherme Salles

Tragédia na Ilha: despedida das irmãs Agatha e Vitória

Agatha, de apenas 4 anos, e Vitória Aleixo Leandro de Mello, de 11 anos, foram sepultadas lado a lado na tarde de sexta-feira, no Cemitério da Cacuia, localizado na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. As duas irmãs faleceram no colapso de uma residência onde a família morava, na comunidade Praia da Rosa, também na região da Ilha. O sepultamento se tornou um dos momentos mais tocantes e desoladores já registrados na comunidade local.

Durante a cerimônia, parentes e amigos reuniram-se para colocar os pequenos caixões brancos nos jazigos, enquanto ofereciam apoio emocional aos pais das meninas, Anderson Mello e Renata Aleixo. O casal vivia um relacionamento extremamente próximo com as filhas, conforme descrito por vizinhos e familiares como um verdadeiro “grude”. As meninas mantinham-se constantemente de mãos dadas com a mãe e viviam literalmente agarradas ao pai.

Momentos de pura devoção paterna

Anderson era conhecido por realizar todos os desejos das filhas. No Natal anterior, as crianças o convenceram a preparar a ceia de natal na varanda da casa, um detalhe que revela a intimidade e cumplicidade da família. Durante o velório, o impacto emocional foi tão intenso que o pai passou mal e necessitou ser carregado por dois conhecidos para fora do cemitério. A mãe permaneceu o tempo inteiro cercada e apoiada por duas mulheres que compartilhavam seu sofrimento.

Quando os caixões foram colocados nas gavetas, Anderson agradeceu a presença de todos os presentes, abraçou a esposa e se virou para o jazigo vertical. Com as mãos tremendo, tocou a madeira e abaixou a cabeça aos prantos, enquanto proferia palavras de amor puro e desespero.

“Senhor, me dá forças!”

“Ah, minhas filhas… Papai ama tanto vocês! Eu amo vocês!”, declarou Anderson enquanto era abraçado por trás pela esposa. Renata mantinha a cabeça baixa e os olhos fechados, em total silêncio. “Senhor, me dá forças! Dói tanto!”, completou o pai entre lágrimas que ecoavam pelo cemitério. O choro era alto, visceral, expressando uma dor indescritível que permeou toda a cerimônia.

Homenagens comoventes e apoio da comunidade

Além de parentes e amigos, agentes do Corpo de Bombeiros compareceram ao cemitério para prestar condolências à família. Segundo um dos bombeiros, Vitória participava do “Projeto Botinho”, a colônia de férias gratuita oferecida pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro. Para os profissionais, foi extremamente difícil ter que procurar pelos corpos das meninas nos escombros da casa. Na Ilha, o projeto é realizado pelo 19º Grupamento de Bombeiros Militares, que enviou equipes para atender à ocorrência.

Fogos de artifício e balões brancos com fitas rosas foram soltos em homenagem às meninas durante o sepultamento. Após os caixões serem colocados nas gavetas, uma oração foi realizada. Tanto Anderson quanto Renata não permaneceram para ver a gaveta sendo lacrada. O pai passou mal novamente e necessitou receber atendimento médico em uma ambulância presente no local.

Últimos dias felizes antes da tragédia

Na véspera do desabamento, segundo Anderson, suas filhas comemoraram a vitória do Brasil na Copa do Mundo. No dia fatídico da tragédia, as meninas estavam muito felizes. A família tinha planos para almoçar no shopping, comprar roupas para a festa junina que aconteceria em poucos dias. Esses sonhos e esperanças foram abruptamente interrompidos pelo colapso estrutural da residência.

Repercussão na comunidade escolar

A comoção se estendeu para a comunidade escolar. O Colégio Notre Dame, onde Agatha estudava no Pré 2, informou por meio de publicação nas redes sociais que o pátio e toda a escola estavam “em silêncio e em oração” pela morte da menina. A instituição descreveu Agatha como uma criança de “bondade, ternura e luz”. Funcionários do colégio também compareceram ao cemitério para prestar condolências à família. A Irmã Odilla, de 76 anos, relembrou com saudade os momentos de felicidade vividos com a aluna.

O cachorro desolado e as investigações

Uma cena igualmente comovente foi registrada no local da tragédia. O cachorro da família, que foi resgatado com vida nos escombros, insiste em permanecer no local onde moravam. O animal permanece próximo aos pertences das meninas, com um olhar desolado que parece refletir a mesma dor que envolve a comunidade.

Enquanto a família se despedia das crianças, a Defesa Civil realizou uma nova vistoria no imóvel de três andares que desabou completamente. A perícia busca avaliar as condições das construções vizinhas e identificar as causas do colapso estrutural que provocou a morte das irmãs. A Secretaria Municipal de Assistência Social confirmou que prestou assistência à família, oferecendo acolhimento emergencial, embora os familiares tenham preferido ficar na casa de parentes.

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