Home Justiça em FocoGestante vê sonho da casa própria ameaçado por obras paralisadas de construtora na Zona Sul do Rio

Gestante vê sonho da casa própria ameaçado por obras paralisadas de construtora na Zona Sul do Rio

by Guilherme Salles

O Sonho Interrompido de Famílias na Zona Sul

O sonho da casa própria é um dos mais significativos para muitas famílias brasileiras. Para uma jovem gestante de dois meses, esse sonho está ameaçado pela paralização de obras de um empreendimento de alto padrão na Zona Sul do Rio de Janeiro. Seu pai, um engenheiro de Mato Grosso do Sul, presenteou-a com um apartamento logo após seu casamento, com o intuito de ajudá-la a iniciar essa nova fase da vida ao lado da família que forma. No entanto, com aproximadamente 85% do valor do imóvel já quitado, ainda não há previsão concreta de entrega.

A situação enfrentada por essa família é apenas uma entre dezenas de outras que adquiriram apartamentos da Inti Empreendimentos nos bairros mais nobres da Zona Sul carioca, como Urca, Botafogo, Leblon e Gávea. Esses edifícios de alto padrão tiveram suas construções paralisadas pela falta de recursos financeiros, conforme admitido pelo sócio-diretor da empresa, André Kieffer.

Cronogramas Constantemente Alterados e Falta de Transparência

A jovem gestante relata a frustração vivida durante esse processo. Desde o início das obras, surgiram desconfianças sobre o cumprimento dos prazos estabelecidos. O cronograma original previa a entrega das chaves em agosto de 2025, mas essa data já foi alterada diversas vezes. No terceiro cronograma enviado pela construtora, a cerimônia de entrega foi novamente adiada, dessa vez para 31 de dezembro de 2026. Enquanto isso, a família continua vivendo de aluguel, com suas vidas em suspensão aguardando a concretização do projeto.

Impactos Financeiros e Legais

Mais de 70 apartamentos deixaram de ser entregues no prazo estabelecido devido à insuficiência de recursos financeiros. Em plataformas de corretoras e em propagandas, é possível encontrar unidades anunciadas a valores que chegam até R$ 4,6 milhões, como no caso das coberturas do Edifício Haus, localizado na Assis Bueno, em Botafogo. Contudo, a construção permanece com tapumes e estruturas incompletas. No Rua Sambaíba, no Alto Leblon, o preço por metro quadrado chega a R$ 20.292, onde apenas dois dos oito pavimentos anunciados foram construídos.

Divergências Contratuais e Protestos dos Adquirentes

A empresa alega que a maioria dos contratos foi celebrada sob o regime de obra por administração, permitindo o compartilhamento de custos com os adquirentes. Contudo, alguns compradores contestam essa versão, afirmando que seus contratos indicam tratar-se de incorporação, situação na qual um banco deveria garantir a disponibilidade de recursos.

Três compradores entrevistados manifestaram indignação com os atrasos e com os termos de rescisão oferecidos pela Inti. Os adquirentes acusam a empresa de falta de transparência quanto aos problemas que resultaram no atraso das obras, mudanças constantes no cronograma e ausência de retorno às tentativas de comunicação. A empresa nega ter demorado para responder aos compradores.

Problemas Pós-Entrega e Ações Judiciais

As dificuldades não cessam após a ocupação dos imóveis. Uma família que se mudou para um empreendimento da Inti no Leblon descobriu que recebeu apenas uma vaga de garagem, quando foram anunciadas duas por apartamento durante o período de venda, e quatro para coberturas. Os moradores já contrataram advogados e pretendem ingressar na Justiça para resolver a questão.

Em dezembro, a Inti foi citada em uma ação movida por vizinhos de um empreendimento na Gávea relacionada à execução de título extrajudicial. Aproximadamente R$ 200 mil foram bloqueados na conta da empresa antes de serem desbloqueados mediante acordo.

André Kieffer atribui alguns dos atrasos a intercorrências não previstas nos estudos iniciais, como procedimentos de descontaminação mais extensivos que o esperado e cortes de rocha em determinadas localizações. Segundo o diretor, muitos clientes já possuem frações do terreno, e a empresa realiza escrituras em seus nomes quando recebe o pagamento correspondente.

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